Os pés pelas mãos: Não é bem assim
Peladeiro desde a infância, sou capaz de compreender qualquer patacoada dentro das quatro linhas. Quem joga comigo sabe, será perdoado de véspera. Se tocou a bola longe, levanto o braço e digo de pronto: Foi mal! Não tava prestando atenção. Se passo e o gaiato não domina: Foi mal! Toquei forte demais. Se o time leva um gol bobo, pego a bola no fundo da rede. Vamos buscar. Se o cara perde um gol feito. Beleza! Tá bom! Para mim, ninguém falha. É o futebol que é feito de erros e acertos. Talvez faça isso para minimizar meus próprios tropeços. Sendo tolerante, ninguém reclama comigo. A tática funciona.
Além de ser compreensível nas peladas, tento ver os profissionais da mesma forma. É fácil ficar sentado reclamando a cada lance desperdiçado. A frase esse até eu faria é tão corriqueira quanto mentirosa. Vários fatores que vão além do sofá e da mesa do boteco devem ser levados em conta. Gramado, velocidade da bola, movimentação do adversário, chuva, sol, sorte e azar. Tudo pode atrapalhar a definição de um lance. Enquanto todos crucificam um jogador e suas limitações, chego com panos quentes. A bola quicou e ganhou velocidade. O zagueiro estava em cima. Parece fácil, mas não é. Às vezes, ganho a compreensão resignada dos amigos.
Espero ter deixado clara minha posição com relação ao esporte. É preciso entender que erros e acertos fazem parte do jogo. Só superando rancores é possível montar um pensamento vencedor de time e torcida. Por isso, reafirmo, se estivesse atuando pelo Flamengo e visse o Deivid perdendo um gol como aquele, ia xingá-lo até a última geração. Sou tolerante, mas não monge.









