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Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

23/10/2012 às 08h00

Desculpem, fui eu…

Caros e caras, sei que, nessa hora de rebaixamento, muitos de vocês vão procurar os motivos da queda do Tupi para a Série D. Mas posso garantir que ninguém vai achar se for buscar nos lugares tradicionais. Esqueçam que a torcida não abraçou os programas de sócio-torcedor e a primeira promoção do centenário do clube no início do ano. Não levem em conta que o investimento feito por empresas e o poder público locais pouco ou quase nada diferiu do que foi investido no ano passado.

Especialistas vão cravar que foi a manutenção da maioria do elenco do Campeonato Mineiro sem uma qualificação eficiente que não permitiu uma melhor sorte ao Carijó na Série C. Outros destacarão o atraso no início da competição nacional como decisivo para a queda. Muitos colocarão a culpa no atraso de salários, direito de imagem ou qualquer outro nome da féria mensal do elenco no meio da competição. E há aqueles que, lançando mão dos números, anunciarão que a incompetência do ataque do clube local foi a responsável pela degola.

Existirão aqueles que vão colocar como certa a troca de treinadores em sequência como a grade vilã do descenso para a Série D. Outros vão preferir avaliar que o Tupi não fez o dever de casa como costuma fazer jogando no Mário Helênio e por isso caiu, ou que levou gols em bolas paradas, incomuns nos últimos dois anos. Mas todos estarão passando longe da verdadeira causa do rebaixamento do único clube de futebol profissional de Juiz de Fora.

Devo confessar: o escriba que bate esse Papo com vocês é quem foi o verdadeiro culpado pela queda do Carijó. Desde a primeira vitória do time na Série C desse ano, compareci ao Estádio Municipal em minhas folgas – não contam as vezes que estive a trabalho, ok? – com a mesma roupa completa. Assim, mesmo quando o Carijó não conseguiu seu resultado, a rodada ajudou e fui para casa aliviado. No último sábado, eu estava com o mesmo tênis, o mesmo par de meias e a mesma bermuda. Fiz até minha mãe me encontrar para levar a tradicional camisa do Alvinegro que elegi amuleto.

Mas… vocês já perceberam não é (os botafoguenses sabem direitinho do que eu estou falando)… troquei de cueca! E o pior, só percebi que estava com a roupa de baixo errada quando fui ao banheiro no intervalo. Até fiquei no Mário Helênio por solidariedade, mas àquela altura já sabia que nada daria certo. Assim, faço o mea culpa. Amigos, desculpem, fui eu que rebaixei o Tupi.

***

Em tempo, segurei minhas lágrimas até ouvir pelo rádio o depoimento emocionado do guerreiro Léo Salino – para mim, o destaque individual do time na Série C – e o choro do excepcional goleiro Rodrigo. A pena de ver esse time cair foi essa. Mas já enxuguei meu rosto, pois, como disse há algumas semanas atrás nesse nosso Papo, não é o fim do mundo e nós, carijós de verdade, temos um ano cheio em 2013, com Mineiro, Copa do Brasil e Série D. No mais, a sabedoria do torcedor me leva a diante. Como disse o figuraça Binha na tradicional cervejinha no estacionamento antes do início do jogo, deixa cair que a gente faz igual a Viagra: sobe de novo!.