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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

22/02/2013 às 07h00

Calado é poeta

A data era 14 de janeiro de 2005. O hoje incensado deputado federal Romário cunhou a frase que já faz parte do imaginário esportivo brasileiro. O Pelé calado é um poeta! De certa forma, concordo com o Baixinho. O tal Rei do futebol na maioria das vezes não me convence em suas atuações fora das quatro linhas. Para mim, sua melhor aparição de bastidores até hoje foi quando não soltou uma palavra sequer, ao ser enforcado em 1994 por um ensandecido Galvão Bueno aos gritos de é tetra, é tetra, é tetra…

O melhor da frase do Peixe é que ela cabe em diferentes contextos. Serve para dar um tapa de luva de pelica em um jogador que, após ver seu time ser derrotado categoricamente em casa por uma equipe que visivelmente jogou um melhor futebol, resolveu dividir a culpa do revés com os torcedores. O Thiago Neves calado é um poeta. Falando, um fanfarrão. Suas declarações provocativas à torcida do Fluminense após a vitória gremista por 3 a 0 na última quarta-feira no Engenhão foram, no mínimo, pouco inteligentes.

Um sujeito que ganha algumas centenas de milhares de reais não pode se esconder atrás de escusas como na hora que a gente precisa nunca tem apoio e incentivo. Não há incentivo maior do que o rio de dinheiro que deságua em sua conta bancária todo mês. Em dia, aliás, já que o meia é da cota de atletas pagos pelo patrocinador. Um salário injustificável, já que, mesmo que quando em silêncio se revele um Fernando Pessoa, o tal Thiago Neves não é um Pelé. Muito pelo contrário. Está muito longe disso, jogando com o nome já há algumas temporadas, escondendo-se em campo e enganado um ou outro torcedor mais grato e alguns manos menezes da vida. Thiago Neves calado é poeta, falando é imprudente, e jogando, mais um pseudocraque daqueles que acham que joga mais do que realmente mostram dentro de campo.