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Nada no balaio pinóquio


Por Tribuna

20/01/2013 às 07h00

O ciclista americano Lance Armstrong confessou ter usado substâncias proibidas em todas as suas vitórias na mais tradicional e importante prova de ciclismo do mundo, a Volta da França. Não satisfeito, ele ainda se valeu de transfusões sanguíneas com objetivo de tirar vantagem sobre os demais competidores. Por fim, talvez o mais impressionante, o ex-atleta, com fino desdém, considerou ser impossível vencer tanto sem doping.

É mais ou menos como, se do dia para noite, descobríssemos que Michael Schumacher não é nada daquilo que acreditávamos até então. Como se, durante seu reinado no automobilismo, houvera todo tipo de trapaça. Como se descobríssemos algo de errado com Leonel Messi ou a brasileira Marta. Pelo raciocínio simplista de Armstrong, nenhuma modalidade esportiva comporta genialidade. Talvez esse tenha sido seu maior pecado.

Soubesse o infeliz ciclista da condição de semideus dos ídolos, não tivesse enganado tantos por tanto tempo. Circula pelas redes sociais montagens de fotos de Armstrong como o personagem Pinóquio. De fato, ele mentiu de forma contumaz desde os anos 1990. Uma geração inteira de amantes do ciclismo foi formada sob o ícone da mentira. Para os franceses, que têm devoção pela Volta da Franca, as notícias desta semana são desesperadoras.

Por aqui, como não se tem nenhuma tradição ciclística, o episódio passa despercebido. Não há lugar para novas mentiras no nosso mundo esportivo. Estamos fartos de enganação. Recentemente, por exemplo, o novo presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, revelou que não houve verdade nos últimos anos do clube. As megacontratações consumaram-se em fraudes futebolísticas dentro e fora do campo. O doping tupiniquim se dá no andar de cima. Aqui, mentiroso é o Gepeto.