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Os pés pelas mãos: Zizão, negócio da China


Por Renato Salles

19/10/2012 às 07h00

Tem hora que eu acho que não entendo nada de marketing. O Corinthians fez um estardalhaço quando contratou um chinês canela dura qualquer, que logo teve seu nome abrasileirado: Zizão. Diziam ser estratégia para ganhar o mercado asiático. Achei que era piada de mau gosto. Mas o fato é que a notícia rodou os noticiários dos quatro cantos do mundo. Fogo de palha. O marquetingue corintiano parecia ter tido seu maior revés depois de Adriano.

O chinês chegou tímido. Iniciou os treinos aos poucos. De poucas palavlas. Chamou a atenção das câmeras. Qualquer coisa que fizesse, para o bem e para o mal, ganhava um cantinho na beira da página, dos portais, dos programas esportivos. Zizão marca em treino, era manchete recorrente nos sites que tratam futebol como novela das oito.

Veio a lesão. Os repórteres ficaram alvoroçados. Chinês pára por tempo indeterminado. A jogada de marketing parecia um fracasso. Mas Zizão continuava lá, com seu espaço cativo e irônico no noticiário. Recuperado da lesão, o China virou hashtag e campanha do jornalismo esportivo – muitas vezes fanfarrão – do Globo Esporte de São Paulo.

Até o dia em que o tal de Zizão jogou. Ou melhor, entrou em campo. Não evitou a derrota para o Cruzeiro, mas tentou uma pedada. Virou febre na internet com o Zizão facts. Corinthians só ganhou a Libertadores porque o Zizão desbloqueou o Play Station. Sua estreia ganhou o noticiário internacional. De novo. Com o sucesso, o Timão planeja novas ações, e o chinês deve ganhar brinquedo e camisa especial no ano que vem. Uma piada que vai vender igual água. Tem hora que eu acho que não entendo nada de marketing.