Tiro com arco: com a evolução na mira

Dílio e Fernando, dois dos entusiastas do esporte
Como quem faz a puxada para dar impulso à flecha em busca do disparo perfeito, os arqueiros de Juiz de Fora tomaram providências no início deste ano para colocar em movimento eficiente sua modalidade. Querendo alavancar a prática do esporte na cidade, os atletas criaram, em janeiro, a Associação de Tiro Com Arco de Juiz de Fora e Região (ATAJF).
Os interessados em se associar à ATAJF pagam uma taxa de R$ 135 e mensalidades de R$ 35. Inicialmente, um grupo de dez praticantes participa da iniciativa, que tem como presidente o arqueiro Dílio Alvarenga. "Queremos incentivar e proporcionar o acesso a atividades desportivas relacionadas ao tiro com arco ao maior número possível de pessoas. Também buscamos desenvolver o desporto de rendimento", conta o dirigente, praticante há cinco anos,. Alvarenga foi vice-campeão brasileiro por equipes com seu clube, o Pampulha Iate Clube (PIC), de Belo Horizonte, em 2011, e terceiro colocado no ano passado, terminando a última temporada em 11º no ranking do país no arco composto adulto – em 2013, está em segundo lugar na classificação, com um único evento disputado até aqui.
Desde antes de sua criação, a ATAJF já tinha sua primeira meta objetiva: conseguir um local apropriado para treinamento. Por enquanto, uma propriedade da família do presidente é a casa dos arqueiros locais. Lá foi realizado, em fevereiro, o primeiro evento da associação, um workshop com a participação do técnico carioca Renato Emílio, quatro vezes representante brasileiro em Olimpíadas. "O maior desafio da associação é conseguir um local adequado para treinos e cursos. Utilizamos um sítio na Barreira do Triunfo, mas precisamos de um local que possa comportar melhor a atividade esportiva coletiva", explica Dílio.
A ideia é envolver também o poder público nessa busca. "Iniciamos uma coleta de informações sobre os locais que comportariam a atividade e sobre os seus respectivos responsáveis. Temos como um dos objetivos o contato com a Prefeitura, buscando permissão de uso de um local público, como o Parque de Exposições, por exemplo. Mas ainda estamos aguardando agendamento de reunião com o prefeito ou com o secretário de Esporte e Lazer para tratar do assunto", diz Alvarenga.
Suporte técnico
Na diretoria da instituição está o maior nome do tiro com arco juiz-forano. Diretor técnico da ATAJF, o médico Márcio Sotto Maior, 62 anos, há 23 no esporte, agora fará oficialmente o que já vinha realizando informalmente há anos. "Geralmente, quando alguém começava a praticar o tiro com arco em Juiz de Fora, me encontrava. Sempre dei dicas de equipamento, passei técnicas, treinei junto algumas vezes. Com a associação, pretendo dar um suporte técnico", diz o campeão sul-americano de 1996; campeão nacional da categoria principal em 1994, 1996 e 1997; e líder do ranking brasileiro de arco composto master de 2012 – este ano, é o segundo após um torneio.
Os planos de Sotto Maior são ambiciosos, mesmo que ainda limitados pela falta de um local adequado para a sede de treinos da ATAJF. "O Dílio tem cedido seu sítio, mas não é o ideal. Precisamos de um lugar adequado, de preferência mais central, se quisermos difundir a prática do tiro com arco esportivo. Assim que tivermos esse espaço, pretendemos iniciar um trabalho de base, por exemplo."
Movimentação
Atualmente, Alvarenga e Sotto Maior são os arqueiros locais de maior destaque nas competições nacionais. Ambos representam o PIC, de Belo Horizonte, nas disputas, mas esperam mudar esse cenário. "Temos outros associados que já participaram de competições estaduais, como o Flávio Leitão e o Carlos Velasco. E também novos talentos muito interessados nas competições. Estamos estimulando estas pessoas para que passem por tal experiência, pois só assim poderão ver que os torneios não fogem muito daquilo que já praticamos nos treinos", explica Alvarenga.
Outra mudança com data para acontecer é a possibilidade de os arqueiros locais defenderam uma entidade juiz-forana. No próximo fim de semana, a parte burocrática estará em dia. "A associação apresentará os documentos para sua filiação à Federação Mineira de Arco e Flecha na segunda etapa do Campeonato Mineiro Outdoor, nos dias 23 e 24 de março. A partir daí, os associados que se filiarem também à Federação Mineira e à Confederação Brasileira de Tiro com Arco poderão representar a ATAJF para atirar pela associação, sem ter que depender de qualquer outro clube", comemora Dílio.
Também nos planos da diretoria técnica, uma etapa do Mineiro Outdoor pode ter Juiz de Fora como sede. "Conversamos com os dirigentes da Federação Mineira e deixamos nossa intenção de trazer um torneio do Estadual desse ano para cá. Já está tudo praticamente certo, só falta definir o local para batermos o martelo e agendar", revelou Sotto Maior.
Arqueiros apostam na facilitação
Para Sotto Maior, a criação da ATAJF já deu certo só pela reunião de esforços em benefício do tiro com arco local. "A associação congregou arqueiros antigos, como eu, e a turma mais jovem. Estávamos esperando essa aglutinação para seguirmos com o esporte. Acredito que temos uma grande força para alavancá-lo na cidade", projeta. Segundo o atual vice-presidente da associação, Fernando Fassheber, com as atitudes da entidade e seus participantes, o esporte tende a crescer em Juiz de Fora. "Teremos mais força para promover a modalidade em nossa cidade, com foco principal em atrair novos entusiastas", prevê o advogado de 32 anos, que começou a atirar em 2012.
Arqueiro há três anos, o tatuador Elisandro Calheiros, 36, quer ver os esforços dos locais recompensados com ação. "Nossa expectativa é que o esporte aconteça de verdade. Até hoje, temos entusiasmo, equipamento e teoria, mas o arco e flecha só se desenvolve na prática. A constância é que leva à evolução. Minha expectativa e, acho que a dos demais arqueiros, é termos uma área de treino regular. Não penso em alcançar medalhas, mas a vontade de nos superarmos pode levar a esse caminho."
Na visão de Fassheber, as informações iniciais serão a primeira ajuda da ATAJF a quem quer começar na modalidade. "Mesmo ainda não contando com a estrutura física adequada, os novos arqueiros poderão contar inicialmente com o apoio da associação para prestar informações sobre o esporte, técnicas e até mesmo facilitando o contato do interessado com os associados, entre eles arqueiros experientes que podem ajudar nas dúvidas que irão surgindo, auxiliando, por exemplo, na escolha de equipamentos adequados a cada perfil", acredita.
Contatos e informações da ATAJF:
www.tirocomarco.esp.br









