Papo de gandula
Imagem e trabalho em dia, falta o recurso
Caros e caras, com os pés no chão, apostando na sólida imagem construída nos últimos anos e no trabalho, o Tupi vai conseguindo segurar a maioria do elenco que disputou o Campeonato Mineiro e se reforçar para a disputa da Série C. Parece que o grupo, que já era de qualidade e, até agora, não sofreu tantas baixas quanto as previstas, vai ser bem composto para uma competição longa e difícil como a Terceira Divisão de 2012, que vai até outubro.
Há que se louvar nesse momento o trabalho dos diretores do Tupi, mesmo com parcos recursos. Sofrendo uma redução orçamentária para o segundo semestre – só o valor das cotas de televisão, de R$ 400 mil, deixando de chegar aos cofres já é uma baita perda -, os cartolas do Carijó têm que rebolar na tentativa de renegociar contratos em vigor e convencer atletas a jogar por aqui. No eterno cabo de guerra entre a falta de apoio financeiro local e o desejo de fazer futebol profissional em Juiz de Fora, a força de vontade dos dirigentes do Alvinegro vai desequilibrando a favor da torcida juiz-forana.
Nesse assunto, o torcedor costuma cobrar muito do poder público (acredito também que a Prefeitura poderia fazer mais, como aliás fez no Mineiro desse ano, quando aprovou uma complementação que dobrou o repasse mensal de R$ 30 mil para R$ 60 mil ao clube, mas sei ao mesmo tempo que há outras prioridades) e dos empresários (não entendo porque grandes empresas locais fazem tão pouco ou nada pelo Tupi que hoje tem uma diretoria comprovadamente competente e confiável na aplicação de recursos de patrocínio, conseguindo boas campanhas consecutivas e um título nacional no último ano) mas, chamado a dar sua própria contribuição no início deste ano através do programa de sócio-torcedor, não apareceu em grande número. Se houvesse uma grande volume de adesões ao projeto Sou Guerreiro Carijó, talvez o clube estivesse mais tranquilo nessa época de renegociações e poderia até nem estar lamentando tanto o corte no orçamento.
Como lembrou o vice-presidente financeiro do Alvinegro, Cloves Santos, que anda desanimado com a situação dos cofres carijós, o que, nos bastidores, já gerou comentários da possibilidade de sua saída por conta disso, cem, 200 torcedores que aderirem a mais ao programa fazem diferença para um clube que vive com as contas apertadas. O Tupi já pratica preço de ingressos bem em conta – até 2011 as entradas custavam R$ 10 e R$ 5, e esse ano subiram para R$ 15 e R$ 7,50 na maioria das partidas – e ainda oferece vantagens para quem aderir ao programa de sócio-torcedor (quem já participa pode frequentar a sede social do clube e ainda não teve que desembolsar um centavo além dos R$ 35 mensais para ver a partida de ida das semifinais do Mineiro, contra o Atlético-MG, que teve entradas a R$ 20 e R$ 10).
Agora, o Sou Guerreiro Carijó vai até o fim do Mineiro de 2013 e não há desculpa de que estamos no início do ano – quando as contas de Natal, janeiro e carnaval costumam limitar o orçamento familiar de todo brasileiro. Está na hora de o torcedor fazer sua parte e aderir. Dessa maneira, ajuda o clube, legitima sua cobrança por mais investimento externo no Tupi e ainda demonstra para os mais reticentes a força da torcida de Juiz de Fora.









