‘Não é meu modelo, mas do clube’

O Tupi oficializou, ontem, o acordo com seu novo patrocinador master para a disputa da Série B. O Plasc, plano de saúde da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, terá marca estampada na camisa alvinegra pelo período de um ano, com estreia já na partida de hoje, contra o CRB. Os valores não foram divulgados pelas instituições. A presidente carijó, Myrian Fortuna esteve entre os presentes no auditório da Santa Casa, local da apresentação da parceria. Após rejeitar solicitações de entrevista para o jornal, a líder do Executivo alvinegro foi questionada pela Tribuna em coletiva sobre a gestão voltada à confidencialidade das verbas captadas pela agremiação juiz-forana.
“Isso não é meu modelo, mas do clube. Estou lá há dez anos e o clube sempre presta contas para o Conselho Deliberativo e seu Conselho Fiscal. Nunca vi no clube essa divulgação. Sempre são feitas reuniões do Conselho, o Conselho Fiscal presta contas. O Tupi sempre viveu no negativo. Não sei se isso vale a pena. Agora, desconfianças que o torcedor tem, onde o Tupi investe, ele pode ir lá e buscar isso. Agora não sei se o clube, Conselho Fiscal, eu vou prestar conta para o torcedor. Qual torcedor que quer saber da transparência? Os balanços estão na contabilidade. Agora com esse investimento que esse ano o Tupi conseguiu com o acesso à Série B, está tendo um equilíbrio que nunca conseguiu em toda a história. Estão sendo sanadas dívidas, pagos salários em dia, o que nunca se conseguiu. Isso é uma vitória muito grande para o Tupi. Os balanços estão lá. Isso é uma questão de estatuto, de rotina dentro do clube. Não sou eu que não quero mostrar, isso é uma estrutura. Talvez com o andamento o Tupi vá mostrar, mas ninguém tem nada para esconder”, discursou.
Nova parceria
O presidente da Santa Casa, Renato Villela Loures, presente no evento no auditório da instituição, ressaltou que “a parceria é uma colaboração ao Tupi. Nessa colaboração há o plano de saúde e outros fatos para prestigiar e tornar viável ao Tupi, dentro dessa epopeia brasileira, a busca de se manter na Série B. Além disso, a parceria é extremamente importante porque possibilita ao Tupi disputar bem a Série B. O Tupi vai sair da zona de rebaixamento. E a nova parceria vai trazer um estímulo muito grande ao time, à comissão técnica e à diretoria para que eles possam vencer”.
Já a presidente carijó evidenciou a continuidade do trabalho na captação de recursos. “Desde o início dos campeonatos Mineiro e Brasileiro o Tupi não para de buscar os parceiros. Com toda a dificuldade que todos alegam, não paramos de procurar investimento. Estamos na caminhada. Conseguimos agregar o Plasc, que foi uma parceria muito importante, que é uma segurança, um plano de saúde, então não vamos parar”.
Jogos em casa trazem déficit
Outro dado que chama atenção é o prejuízo nos cofres do Tupi a cada jogo como mandante na Série B. Segundo os boletins financeiros divulgados pela CBF após cada partida, as receitas do Alvinegro juiz-forano, oriunda dos ingressos vendidos, não superam as despesas em dois dos sete confrontos. O contexto se torna ainda mais preocupante pela ausência de despesas no documento exposto pela entidade máxima do futebol brasileiro. “Às vezes você olha para a arquibancada, vê o número de pessoas, porque muitas têm carteira e fazem parte do público presente, mas não pagante. No débito da arrecadação, quando você olha o borderô, não aparece o pessoal do trabalho de apoio que ganha R$ 70, R$ 80 e que não posso deixar de pagar. Esses são os débitos, além da concentração e alimentação nela, e o transporte para o estádio. São valores que não aparecem no borderô, mas têm que ser pagos”, explica Jarbas Rafael, vice-presidente de finanças, garantindo despesas totais em torno de R$ 20 mil por confronto, fazendo com que o Tupi só não tenha ficado no vermelho na estreia da competição, contra o Goiás, quando obteve R$ 28.215 em bilhetes vendidos.
Preço dos ingressos
Pela saúde financeira de cada jogo, Jarbas descartou a possibilidade da redução do valor das entradas, hoje no valor de R$ 30 (inteiras) e R$ 15 (meias). “Primeiro, historicamente o público do Tupi sempre gera em torno de 900, mil pessoas. Quando a coisa está muito boa, sobe um pouco. Temos feito algumas ações como levar crianças no estádio, chutes do meio campo, campanhas sociais, mas tudo tem que ter autorização da CBF. Entendemos também, como diretores e torcedores, que os resultados do time dentro de campo que vão fazer o público subir. Mas o aumento do público não acontece de um dia para o outro. A redução dos preços do ingresso não adianta. Nosso ingresso é o mais barato do campeonato. A redução só aumenta meu déficit, infelizmente, porque o número de pessoas não aumenta”.
Paralelamente às despesas, o clube garante estar se organizando com a participação no Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do futebol brasileiro (Profut), entre outras iniciativas. “Essas dívidas que existem não são méritos do Tupi de possuí-las. Em outros clubes existem e convivem com elas, e temos que conviver. Quando assumimos, tínhamos débitos trabalhistas, fiscais e que estão sendo ordenados. O Tupi hoje já tem certidões negativas e isso tem um custo. As ações do passado estão escalonadas e planejadas, sendo pagas dentro do que foi tratado. Essas são as questões que têm que ser administradas, trabalhadas no dia-a-dia”, finalizou Jarbas.









