César visita JF, fala sobre formação de jogadores e relembra própria trajetória na base
Goleiro do Flamengo esteve na cidade para o início da Copa Zico Verão

A qualquer momento, os moleques se esparramariam, para qualquer direção, entre as três quadras e a cantina, no Centro de Futebol Zico (CFZ) de Juiz de Fora, nesta quinta-feira (13); a fila torta de, aproximadamente, 80 deles indicara o prestígio de César, 26 anos, solicitado, ansiosamente, para fotos e autógrafos. O arqueiro do Flamengo, acompanhou, entre o meio da manhã e o início da tarde, jogos da Copa Zico Verão; César, a exemplo dos meninos do CFZ, iniciara a relação com o futebol ainda cedo, aos oito anos. Em conversa com a Tribuna, conversou sobre a formação de atletas, bem como contou as dificuldades com as quais se deparou em dois anos sem minutos em campo como profissional. “O esporte em si – principalmente com as crianças – já nos condiciona a obedecer, entender que há regras, e essas coisas vão nos ajudar a estar junto com outras pessoas. Muitos não têm os pais junto, e o professor vai ser uma referência”, afirma César.
Se César encerrou o Campeonato Brasileiro como titular de Dorival Júnior no Flamengo, foi no Fluminense, ainda no futsal, que iniciou a carreira. Depois de um ano, entretanto, chegara ao campo após transição. Aos 11 anos, deixou o Tricolor. “Antes [de chegar no campo], passei pelo futsal. Tive a história um pouco mais longa, de muitas coisas. Tenho certeza que o somatório de todas essas coisas me fez chegar aonde cheguei. Já passei por dificuldades, por momentos difíceis, tanto de condução quanto de muito trabalho.” Por ter disputado o Campeonato de Comunidades da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo time da favela de Mangueira, César valoriza o futebol como forma de integração e, sobretudo, educação.
“Você aprende desde pequeno que depende do companheiro que está do seu lado. Aquele jogador que muitas vezes consegue entender, aprender e assimilar isso o quanto antes é o que acaba saindo na frente.”
Como goleiro do Mangueira, César integrou a seleção do torneio, chamando, assim, a atenção do antigo Sendas Esporte Clube – hoje Audax Rio de Janeiro Esporte Clube. Ao Flamengo, chegou por empréstimo do Audax Rio aos 17 anos, na transição da categoria sub-17 para a sub-20. Questionado sobre a importância do desenvolvimento do fator psicológico dos atletas nas categorias de base, César contou que, em determinados momentos, o equilíbrio mental foge durante os jogos. “Acredito que os professores são referências e a criançada, quando consegue ver em alguém um espelho, um exemplo, não só no falar, mas também no praticar, amadurece de uma maneira que entenderá mais facilmente somente depois. Muitas vezes você não vai conseguir fazer o seu melhor e acertar sempre; não vai conseguir esse equilíbrio na partida.”
Entre os profissionais, dois anos sem minutos
Embora tenha sido um dos destaques do título do Flamengo em 2011, na Copa São Paulo de Futebol Júnior, César, nos primeiros jogos como titular, em 2015, aos 23 anos, acumulou desempenhos abaixo da crítica sob altas expectativas em razão da trajetória bem sucedida nos torneios de base. Pouco aproveitado desde então, rumou para Campinas, em 2016, emprestado à Ponte Preta, e depois para a Ferroviária, em 2017, em Araraquara, em também em São Paulo. A possibilidade de maior aproveitamento, entretanto, converteu-se em dois anos sem minutos em jogos oficiais. “É bem difícil conseguirmos alcançar o profissional, que é o nosso sonho, principalmente em alto nível. Duas coisas são a minha base. Em primeiro lugar, ter fé, acreditar em Deus. Acredito que Deus sempre tem o melhor para mim; independente da situação, eu continuo acreditando. Segundo, tenho uma família que me apoia e apoiava, e que estava a todo tempo do meu lado”, afirmou.
No primeiro treino pela Ponte Preta, César estirou o tríceps, “algo que não é muito comum”. A lesão o tirou duas semanas de pré-temporada, restringindo-o a trabalhos físicos. O arqueiro ressalta a companhia da esposa, Amanda Dutra, durante a estadia em Campinas. “Quando vou para algum lugar, começo a fazer planos, sonhar… à época, a Ponte tinha 116 anos e nunca havia conquistado nada. Pensava: ‘Pô, 116 anos, temos que conquistar alguma coisa’. Só que as coisas não acontecem da maneira que acreditamos. Chegava em casa e a minha esposa me fortalecia.”
Cedido à Ferroviária, César ficou pouco tempo em Araraquara. Logo retornou ao Flamengo após problemas enfrentados pelo clube com os jogadores à disposição para a posição naquela época – Alex Muralha e Thiago. Em 2017, recuperou o prestígio na campanha do Rubro-Negro na Copa Sul-Americana, sobretudo depois de defender penalidade máxima em Barranquilla, Colômbia, contra o Júnior, na semifinal. Firmou-se, então, como reserva imediato de Diego Alves, até retomar a titularidade nas últimas rodadas do último Campeonato Brasileiro. Àqueles que sonham com a carreira futebolística, mas convivem com a ameaça de interrupção da trajetória – a maioria, diga-se -, César diz: “Para as crianças, a referência de um professor e a aprendizagem são muito importantes. Se não forem profissionais, mas conseguirem se tornar grandes cidadãos em outros segmentos profissionais, é bacana.”









