Vivendo do (e para o) skate

Jessica acaba de ingressar em uma equipe internacional
A passagem de ano entre 2012 e 2013 não poderia ter sido melhor para uma jovem juiz-forana que escolheu uma modalidade pouco comum entre as meninas para se dedicar. Jessica Souza Batista, 21 anos, acaba de ingressar em uma equipe internacional de skate e, desde o último dia de 2012, faz parte do elenco de atletas patrocinados e formadores do time da marca holandesa Concrete Surfer, criada pelo carioca Fábio Badenes e que começa a comercializar suas peças e outros artigos voltados para as pranchas sobre rodinhas.
"Sou vendedora de uma loja de produtos de skate e skatista profissional agora", se apresenta Jessica, dando risadas como quem ainda não acredita direito que o sonho de apenas alguns meses atrás se tornou realidade. "Sempre sonhei em ter um patrocínio. Só que nunca mandei minhas fotos para empresas. Divulgava, pela internet mesmo, sem enviá-las. No fim do ano passado, disse para mim mesma: ‘2013 vai ser o meu ano, vou mandar meu material para todo mundo e buscar patrocínio’. Abri meu telefone no dia 31 de dezembro de 2012 e tinha uma mensagem do Flávio (Badenes). Foi muito emocionante", conta a juiz-forana, praticante das modalidades slalon e downhill slide, embora não descarte migrar para outros estilos. "Quero tudo em relação ao skate. Quero speed, quero street. Tirar tudo que de melhor esse esporte pode me trazer. Já ganhei um shape de street, agora com o patrocínio vou poder montá-lo e estou superfeliz", vibra.
Para a skatista local, foi sua filosofia em relação ao esporte que atraiu a atenção da Concrete Surfer. "É uma empresa feita por skatistas. Todos os modelos são desenhados e testados por quem pratica. E eles sempre buscam deixar isso associado à marca. Então, os ‘riders’ da empresa (dos quais a juiz-forana faz parte agora) têm que estar em sintonia com essa filosofia. Foi por isso que me escolheram."
Com o patrocínio e a entrada na equipe holandesa, Jessica agora vai poder levar sua carreira como quiser e já deseja dar uma força para o skate local. "Sendo uma das ‘riders’ da Concrete Surfer, tenho todo o tipo de apoio para participar de qualquer campeonato. Não só de competições, reuniões de demonstração também. Meu papel como ‘rider’ da empresa é mostrar sua essência, já que ela vai começar a entrar no Brasil agora. Sonho em poder lutar efetivamente para trazer alguma competição bacana para cá. Tenho certeza que Juiz de Fora ainda vai ter uma campeonato muito grande. Não sei se para agora, mas a gente vai conseguir isso", confia a atleta.
Engajamento
Ainda curtindo a alegria de poder se dedicar mais ao skate como carreira, Jessica não fez muitos planos para a próxima temporada. Mas o primeiro evento de que vai participar dá bem a medida não só de sua preocupação com as conquistas esportivas, mas em quebrar preconceitos. "Vai ter um evento em Curitiba, chamado ‘Rolê da mulherada’, e eu vou participar. É uma iniciativa que ajuda a derrubar estereótipos. Para muitos, ainda não sou uma ‘mulher que anda de skate’, sou ‘a gatinha que anda de skate’. Meu sonho é quebrar isso. Mulher é sim skatista, é apaixonada pelo esporte. Juiz de Fora tem muitas meninas boas que encaram com seriedade a prática. Quero mostrar que é sério o que faço, ir para o mundo, mostrar que o skate não tem limite, não só em manobras, mas em possibilidades. Quero viver minha vida do skate. E agora, com esse primeiro patrocínio, acredito que é possível."
Para as garotas que querem começar na prática do skate, a juiz-fora aconselha persistência. "Meu conselho para as meninas é nunca desanimar. Já ouvi muita besteira, muita baboseira. Por vezes, você ouve da família, às vezes, na rua e até de amigos mesmo que não acreditam. Mas na verdade, só a gente sabe do nosso potencial. E eu acredito muito em mim. Posso chegar aonde quiser e acredito que todas podem."









