Os pés pelas mãos
E daí?
Torcedor de futebol sofre nesse período de vacas magras. Com os campeonatos em recesso, a abstinência incomoda. O mercado de transferências está em baixa. A busca por informações mostra-se infrutífera. Não dá nem para fazer o velho exercício de escalar e comparar as possíveis equipes de cada clube para a próxima temporada. Como quase ninguém contratou ou perdeu uma peça importante, a tal futurologia é desnecessária. Sem nenhuma novidade de impacto, ontem o noticiário esportivo nacional destacou celebridades instantâneas que pouco têm a ver com o mundo da bola: Michel Teló e Larissa Riquelme. Ela mais uma vez digna dos infinitos ai, se eu te pego entoados mundo afora.
Alvo de questionamentos, desaforos e até elogios nas discussões do mundo real e virtual, por seu meteórico e inesperado sucesso universal, o cantor sertanejo foi recebido por Kaká, Marcelo, Cristiano Ronaldo e cia. com status de estrela no Real Madrid. Visita que se justifica pelo fato de o ex-lateral tricolor e o gajo metido a bom de bola terem comemorado um gol dançando o hit de Teló, ajudando a popularizá-lo no Velho Continente. Já a paraguaia delícia, delícia arrancou gritos de nossa, nossa e quase matou os torcedores do América de Pernambuco, ao lançar a nova camisa do time de Recife para a temporada 2012.
Os principais meios de comunicação especializados em esporte dedicaram espaço à dupla. Embasbacado, li, ouvi e assisti às reportagens sobre os dois fatos durante todo o dia. Sempre me questionando. E daí? Divulgar isso é o mesmo que ficar noticiando o que os jogadores estão fazendo em seus momentos de folga. Se bebem ou não uma caipirinha, por exemplo. A paixão pelo futebol e pelo esporte em geral é incomensurável. A mídia especializada não precisa de pormenores ou sensacionalismo barato para atrair a atenção do torcedor. Eles sempre estarão ali, atentos, entregues, abnegados. Com todo o respeito, já há espaço demais dedicado a Telós e Larissas nas colunas, sites e programas de fofoca que se multiplicam como mosquito da dengue no verão. Deixem o jornalismo esportivo fora disso. Ok, ok?









