Do alto do pódio

De um lado, Aline Barbosa dos Santos (Faculdade Metodista Granbery), 27 anos, esteticista e iniciante na prática de corrida em alto desempenho. Do outro, Eberth da Silva Silvério (Vidativa/Fripai/ Skechers), 24 anos, atleta profissional e favorito em todas as provas que participa em Juiz de Fora e região. Os diferentes perfis foram unidos em conversa com a Tribuna por um ponto comum em 2016: o título do 30º Ranking de Corridas de Rua da Prefeitura de Juiz de Fora. No encontro, a atleta sensação da temporada e o tetracampeão do evento da cidade abordaram temas como suas rotinas e a chegada de novos atletas de alto nível nas disputas masculina e feminina, casos, por exemplo, de Robinson Gomes, do Cria UFJF, e da própria Aline. Confira a seguir.
ALINE

O título e a temporada
“Tive uma disputa bem equilibrada com a Amanda (Oliveira), que não participou de uma prova. No caminho houve ainda uma etapa em que fui mal, outra que consegui pontos extras e acabei ficando na frente. Tem corrida do ano passado em que fiquei na quinta posição e com o mesmo tempo neste ano não pegaria nem pódio, porque as meninas têm melhorado muito.”
Rotina de treinamentos
“Treino seis vezes por semana antes do trabalho, mais cedo, no meu bairro, no Náutico. Tento variar o percurso, em que posso pegar Barreira, Campo Grande, sentido Benfica. Depende do treino. A força de vontade é o que me dá motivação para treinar. Comecei recentemente, fiz algumas provas no ano passado e o gosto pela corrida aflorou. E quanto mais você melhora, mais tem vontade de seguir correndo, então fui continuando. ”
Alimentação
“Já era magra, mas depois que melhorei minha alimentação, o rendimento aumentou muito. Dá diferença. Se você quer sair no final de semana, comer algo, e vai correr, sente na performance depois. Evito muito refrigerante, frituras, gorduras. Não dá para comer muito doce. Semanas antes das provas já diminuo bastante e na véspera, então, não dá para comer nada!”
Objetivos
“Quero participar bastante do ranking e até de corridas fora da cidade porque não vou muito. Às vezes evito de ir até para não me desgastar tanto pelo trabalho.”
Renovação
“Nesse pequeno período que estou participando do ranking já dá para ver que está mudando muito, e ano que vem teremos ainda mais surpresas. E isso é muito legal, porque as meninas estão procurando mais fazer o esporte, se dedicando e evoluindo. Aumenta a competitividade. Ficar sempre as mesmas em primeiro e segundo acaba deixando chato, inclusive para o evento.”
Conselho aos iniciantes
“Veja a atividade física como saúde. Esquece que vai emagrecer e vai pela saúde, porque cuidando dela você vai estar bem por completo. Até para as crianças, porque hoje a alimentação está bem precária, e a obesidade está crescendo bastante, que é o que mais me preocupa.”
EBERTH

O título e a temporada
“Acho que foi um ano muito produtivo. Consegui bons resultados como o do ranking não apenas em Juiz de Fora, mas em outras cidades também e espero continuar nessa evolução para estar cada vez mais inserido no cenário nacional.”
Rotina de treinamentos
“Treino sete dias por semana, alguns dias duas vezes, com variação de dez a 12 sessões na semana. Em volume fica entre 150km e 180km. Antes de competições baixo para até 100km, chegando bem descansado nas provas. Tento manter um objetivo no ano. Em 2016 focamos mais em provas de 10km, então não tive tantas mudanças nos treinos, mas quando existem provas mais longas ou mais curtas tenho que variar a distância das atividades. Se você faz uma prova de 10km, você treina às vezes 15km, 20km, ou até mesmo 30km. Os tiros é que variam bastante. Em provas menores, faço tiros mais curtos, por exemplo.”
Alimentação
“Não tem muito segredo, normalmente como de tudo, mas quando chega perto das provas como mais carboidratos para ter mais energia e uma reserva maior na prova.”
Objetivos
“Ainda vou competir duas vezes, uma delas é a São Silvestre, em que espero conseguir estar entre os 15 melhores. E no ano que vem vou tentar pegar mais provas de nível nacional, porque infelizmente em Juiz de Fora ainda não tem aquele investimento que os atletas precisam para despontar no país.”
Renovação
“Acho muito legal ver gente surgindo, porque ficar na mesmice sempre é muito ruim. E dentro disso os treinadores precisam ter boa cabeça com os jovens para que não causem lesões, acabem com suas carreiras como em casos antigamente que já vi. O Cria UFJF, por exemplo, faz um trabalho muito legal, e espero que os jovens cresçam a cada ano.”
Conselho aos iniciantes
“A pessoa tem que ter objetivo e perseverança. O esporte em geral no Brasil é muito difícil de ser realizado, não tem o apoio necessário. Você precisa organizar um treinamento legal que futuramente com certeza irá colher os frutos.”









