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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

09/12/2011 às 07h00

Serginho maloqueiro

Escrevendo essa coluna em São Paulo, onde estive para acompanhar o lançamento oficial da Superliga Masculina, vi que as emoções do último Campeonato Brasileiro continuam vivas no imaginário dos paulistanos. E não podia ser diferente. Não faz nem uma semana que o Corinthians conquistou seu quinto título nacional em uma rodada final digna da grandeza de Doutor Sócrates, que se foi no último domingo, para democratizar o lado de lá.

Foi legal ver esse sentimento de que aqui é Corinthians, maloca e sofredor justamente na maior festa do vôlei nacional. Cercado de repórteres, o eterno líbero da Seleção Serginho não se furtou a uma pergunta sequer. Sempre com originalidade, falou de tudo. Disse que gosta de bagunçar seja no Sesi ou na Seleção, brincou com o novo regulamento da Superliga. Enfim, uma grande figura.

Mas, por incrível que pareça, para mim, a única hora em que Serginho falou sério foi quando falou de futebol. Se o vôlei é sua profissão e paixão, o Corinthians é sua loucura. O líbero contou os apertos que passou na rodada decisiva. O jogador não conseguiu ver o clássico contra o Palmeiras, pois estava voltando do Japão, onde defendeu a Seleção Brasileira. Pô, eu estava louco. Acompanhava tudo lá do Japão. Mas não vi o último jogo. Desci do avião babando. Antes de conseguir perguntar alguém sobre o resultado, chegaram umas 200 mensagens no meu celular. Aí, fiquei mais louco ainda.

Em poucos segundos, Serginho contou com tanto entusiasmo sua história do título, que entendi tudo o que ele já fez com a camisa verde e amarela, e todo esforço do líbero para salvar bolas que pareciam perdidas. É porque Serginho é corintiano, e como todo bom corintiano, é maloqueiro, sofredor e campeão. Ao menos, até o próximo Brasileirão.