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Nas alturas com o slackline


Por BRUNO KAEHLER

09/10/2016 às 07h00

Pietro Barreto se aventura no highline do Floresta

Pietro Barreto se aventura no highline do Floresta

A imagem impressiona. A prática aliada à prioritária segurança está cada vez mais próxima dos juiz-foranos. Certamente, deslocando-se por praças da cidade ou pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), você já reparou em algum grupo de pessoas aprendendo ou fazendo manobras sobre uma fita com extremidades fixadas em duas árvores, a um ou dois metros de altura. O já conhecido slackline segue ganhando adeptos no município, e os mais experientes desafiam as possibilidades deste esporte em diferentes locais e sob maior dificuldade. É conhecido, então, o highline, vertente que consiste, basicamente, no equilíbrio em fita ancorada normalmente em formações rochosas ou prédios e a mais de 10 metros de altura.

Neste ano, o primeiro highline da cidade foi instalado no Bairro Floresta. Um dos responsáveis foi o publicitário Pietro Pereira Barreto, 28 anos, praticante do slackline desde 2010, proprietário do primeiro e-commerce especializado em equipamentos para o esporte no Brasil e idealizador da revista “Universo slackline”, também inédita no naipe. “A montagem de um highline em Juiz de Fora era um sonho para mim desde 2013, quando tive o primeiro contato com a modalidade no Rio de Janeiro. A realização deste sonho veio esse ano. O processo se iniciou com uma longa procura por um lugar ideal, que proporcionasse a montagem segura e eficiente do highline com o auxílio dos amigos e também praticantes Arthur Cota e Felipe Ribeiro. Depois foi partir para o estudo das melhores técnicas e equipamentos para efetivar a montagem no local. Por fim, o escalador José Machado nos auxiliou nas instalações das proteções fixas na rocha”, esmiuçou Barreto.

Em meio à necessidade de experiência e restrição do único local para o highline na cidade, o resultado do esforço do quarteto vem ajudando a consolidar o esporte e suas variações no município. No trickline, destinado exclusivamente a manobras na fita, normalmente a pouca altura, um jovem já chama atenção de quem está ligado ao esporte. “O slackline vem crescendo bastante em Juiz de Fora, graças ao empenho dos atletas. Desde 2011 realizamos oficinas e encontros na UFJF. Também já organizei campeonatos na cidade. Há ainda os bons resultados no trickline do Guilherme Duarte, de apenas 16 anos e que este ano foi campeão amador na Copa Rio de Slackline, título que também foi conquistado pelo atleta Felipe Lechitz em 2013. Tem tudo para se tornar um grande nome do trickline brasileiro”, contou Barreto.

Como nos outros esportes, o segredo para a possibilidade de execução do highline está fundamentalmente no aperfeiçoamento da base, paralelamente à utilização dos equipamentos necessários. “Se alguém sonha em praticar highline um dia, basta focar bastante no aprendizado do slackline, principalmente da modalidade de longline (fitas de distâncias maiores), acostumando-se com o balanço da fita, aprendendo a ‘dropar’ nela sem usar o chão como apoio. E depois é importante tomar conhecimento de técnicas e equipamentos de segurança na escalada. Recomenda-se um curso básico de escalada em rocha, pois o highline é um esporte seguro, mas apenas quando feito com responsabilidade, conhecimento técnico e respeitando todos os procedimentos de segurança. O contato com atletas mais experientes também é muito importante”, explica Barreto.

O pontapé de largada pode ser dado, ainda segundo o publicitário, em idas nos finais de semana à UFJF para treinos de longline e trickline. “Os interessados em aprender estão convidados a comparecer. Tudo isso contribui bastante para o desenvolvimento do esporte na cidade, além do highline, que acaba tendo prática mais restrita devido às circunstâncias”, encerra.