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Nada no Balaio


Por RICARDO MIRANDA

09/07/2011 às 07h00

Você se lembra?

Torcedor de futebol que se preze tem uma cena antológica do seu time do coração pronta para ser descrita à primeira provocação. Tem alguns que chegam a ser chatos tamanha a riqueza de detalhes. Quem não se irritaria com um sujeito que vem lhe convencer, por exemplo, que uma das melhores fases do Tostão não foi no Cruzeiro, mas no América. Ou, mais recente, que o gol do Renato Gaúcho que deu o título carioca de 1995 ao Fluminense foi, na verdade, de peito, não de barriga. Sobre Pelé, então, nem se fala. Até na costumeira falta de assunto de elevador há sempre alguém com uma opinião sobre o tempo ou uma recordação do Pelé.

Mesmo não estando lá para ver, sei alguma coisa sobre a final da Taça Brasil de 1966. Santos e Cruzeiro fizeram duas partidas memoráveis. E pensar que, aos 41 minutos do primeiro tempo do confronto inicial, Dirceu Lopes foi derrubado por Oberdan na grande área do Mineirão. No minuto seguinte, Tostão convertia o pênalti no quinto gol do Cruzeiro. Terminado o primeiro tempo, ouviam-se os gritos de cadê Pelé?, cadê Pelé?. Entre os milhares de torcedores, uma turma de Rio Espera, que havia feito uma odisséia para chegar à capital mineira. Mas essa história é para ser contada em livro.

O que pode e merece ser registrado nesse espaço é o golaço da Érika, da Seleção Brasileira, no jogo contra a Guiné Equatorial pelo Mundial disputado na Alemanha. Um belo balão e um chute de primeira, como Pelé, Tostão e Dirceu. Foi aos quatro minutos do segundo-tempo, de uma terça-feira, depois de um primeiro tempo muito ruim… E assim nascem as lendas.