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Os pés pelas mãos: ainda prefiro o Messi


Por Renato Salles

09/03/2012 às 06h00

Sempre achei que uma das piores formas de analisar qualquer coisa fosse a comparação. Já começa errado. Rotula. Limita. Generaliza. Apesar do repúdio, em certos momentos, não há como não tentar colocar na balança coisas distintas – que, de uma forma ou de outra, tornam-se próximas – para definir qual delas é a melhor. Se já não caio mais na pegadinha sobre quem é o mais pesado na disputa entre um quilo de chumbo e um quilo de algodão, vou incidir no erro de avaliar o que Neymar e Messi fizeram na última quarta-feira.

Começo pelo baixinho do Barça. Quero distância deste sujeito para não me sentir um ser inferior. Futebolisticamente falando, é claro. O cara não se cansa de quebrar recordes e seus próprios limites. Romper também a fronteira daquilo que imaginamos ser possível fazer com a bola em uma partida de alto nível. O argentino escreveu mais uma vez seu nome na história. É o único a marcar cinco gols em um jogo da Champions League. Cinco! E o fez de todas as maneiras. Chute cruzado. De cobertura. Tapa firme, no canto. De cobertura. Gol feio. Tudo com uma facilidade que irrita. Esse é Messi, um gênio da beleza objetiva. Que me perdoem os mais velhos e a realeza de Pelé, o jogador mais completo da história do futebol aos 24 anos de idade. Mesmo sem ganhar uma Copa.

Agora, vamos ao Neymar. Também irritante. Sempre me pergunto por que ele passa o pé por cima da bola toda vez que a gorduchinha se entrega a seus pés. Até me lembra a personagem Melvin, interpretada por Jack Nicholson, no filme Melhor Impossível. Acometido pelo transtorno obsessivo compulsivo, lavava as mãos com a mesma frequência que o craque santista pedala. Mas as manias flertam com genialidade. O que Neymar fez na Vila contra o Inter merece este e outros adjetivos. Genial. Impensado. Instintivo. Como já fizeram pelés e ronaldos.

Os dois gols de Neymar foram mais bonitos que os cinco de Messi. Mas, no meu veredicto sobre a comparação burra de quem é melhor, sigo com o argentino, menos plástico e mais objetivo. Simples como o sorriso de Monalisa.