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Mãe e filha apresentam-se juntas em evento de ginástica na Áustria

Cláudia Xavier e Valentina fazem parte de delegação brasileira de Ginástica Para Todos e irão se apresentar entre 20 mil atletas de todo o planeta a partir deste domingo


Por Fabiane Almeida, estagiária sob supervisão do editor Bruno Kaehler

07/07/2019 às 07h00

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Cláudia e Valentina, unidas pelo sangue e pelo amor à ginástica (Foto: Olavo Prazeres)

Neste domingo (7), duas juiz-foranas estreiam na 16ª edição do World Gymnaestrada, o maior evento de Ginástica Para Todos (GPT) do mundo. Cláudia Xavier e a filha Valentina, de 12 anos, fazem parte de uma delegação de mais de 600 brasileiros que se apresentam na Áustria. Sua primeira experiência no Mundial será compartilhada com cerca de 20 mil ginastas de mais de 50 países. Até 13 de julho, várias nacionalidades e culturas se reúnem para mostrar ao público suas coreografias na cidade austríaca de Dornbirn, no estado de Vorarlberg.

A dupla não participou de seleção para o Mundial. Para disputar é preciso apenas que o grupo de ginastas tenha filiação a alguma entidade, caso das juiz-foranas com a Federação Paulista de Ginástica, além de seguir os fundamentos do GPT.

Cláudia é formada em educação física há 26 anos e descobriu a modalidade de GPT há 13 anos. Durante cinco anos ela chegou a integrar um grupo de ginástica em Juiz de Fora e hoje, aos 48 anos, é filiada à Federação Paulista, representando a equipe GYMNUSP, da Universidade de São Paulo (USP), que faz parte da delegação brasileira. Para ela, a proposta da modalidade é praticar a ginástica de uma forma mais prazerosa, lúdica e sem a cobrança das competições.

‘É por prazer’
“Não preciso ser alta, magra ou baixa, presa ao biotipo necessário para a modalidade. Os movimentos são adaptados ao que consigo fazer, às habilidades que as pessoas têm, valorizando as diferenças, a capacidade física individual e principalmente a criatividade. Claro que vamos seguir alguns critérios, tem que ser bonito, criativo, com movimentos diferentes, mas é por prazer. Isso abre um leque de apresentações, e a Europa se preocupa com isso, para mobilizar as pessoas a saírem do sedentarismo e seguirem um estilo de vida saudável. As ginásticas artística, rítmica, acrobática, dança, teatro, circo e trampolim estão envolvidas”, explica.

Inspirada na mãe e apoiada pelos pais educadores físicos, Valentina pratica ginástica desde os 5 anos. “A vontade de praticar partiu dela, atualmente ela faz ginástica de trampolim no Clube Bom Pastor. A ginástica é um pouco desafiadora e é a base para qualquer esporte, a gente precisa de equilíbrio, coordenação motora, força, e essas qualidades são trabalhadas, assim como o atletismo”, conta a mãe. Para ela, a possibilidade de dividir a paixão com a filha ajuda a reforçar o laço familiar. “Para quem gosta muito de alguma coisa, estar mergulhada naquele universo, vendo ginástica do mundo inteiro, vai ser muito enriquecedor. Também pela experiência turística, queria proporcionar isso para a minha filha, é uma cultura e oportunidade de conhecimento que a vida escolar não oferece.” A viagem é feita sem patrocínio, com ajuda da organização apenas na hospedagem e alimentação.

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(Foto: Olavo Prazeres)

Representatividade mineira

Durante o evento, mãe e filha farão parte do World Team, grupo que reúne cerca de duas mil pessoas de diferentes origens. Desde 2018, as ginastas treinam através da internet e só irão se reunir aos outros atletas quando estiverem na Áustria, para um ensaio final antes do grande espetáculo. “Sempre tem um elemento surpresa, vamos descobrir qual o tema e formar figuras. Imagino que tenha animais, porque vejo movimentos e sons de macacos e elefantes na música e parece que tem uma corda que puxa a gente para algum lugar, não sei se é uma grande arca. É a minha imaginação, mas só vou descobrir quando chegar lá”, comenta Cláudia. O Mundial também tem uma música-tema coreografada, “Like a rainbow in the sky”, que tem a proposta de mobilizar atletas e espectadores durante os dias de evento.

Além da realização profissional de participar do Gymnaestrada, Cláudia pretende voltar a Juiz de Fora motivada a reerguer seu grupo de ginástica. Segundo ela, o desafio é incentivado pela própria Confederação Brasileira, visando mais representatividade mineira no próximo Mundial, que acontece em Amsterdam, na Holanda, em 2023. “Estou muito curiosa com o que vai ser o evento, uma expectativa de aprendizado com outras modalidades e de voltar a todo vapor para colocar em prática um grupo de novo”, planeja a educadora física, que precisa reunir um mínimo de dez atletas para levar seu próprio time na próxima edição.

66 anos de Mundial
O World Gymnaestrada é organizado pela Federação Internacional de Ginástica e acontece desde 1953, a cada quatro anos. Segundo a Coordenadora da modalidade GPT da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Michele Carbinatto, a Ginástica Para Todos tem a premissa de atender o maior número de pessoas possível, como um esporte inclusivo, sem a preocupação com competições de alto rendimento. A modalidade, porém, também tem seus eventos competitivos.

“Historicamente, a ginástica foi constituída como uma forma de lazer, de trabalho corporal de soldados na guerra e também para a saúde, e é milenar a ginástica voltada para festivais com coreografias. Isso acontecia há muitos anos. Com o advento, em 1896, das Olimpíadas, a ginástica foi voltada para a competição e os jogos, sem deixar de acontecer os festivais. Foi em 1953 que a Federação Internacional de Ginástica se propôs a retomar a ideia inicial da ginástica pela prática, para se divertir e socializar. É uma grande festa, que por enquanto só aconteceu em países da Europa por questão de logística”, destaca Michele, que atuará no Mundial como chefe da delegação brasileira.

Tradição
O Gymnaestrada tem participação do Brasil desde a primeira edição. Segundo Michele, hoje o Brasil está entre as dez nações, incluindo Canadá e países europeus, com o maior número de integrantes, entre atletas e comissão técnica. O país também faz parte da Noite Pan-Americana, que reúne os países das Américas em um grande espetáculo. Aqui no Brasil, grupos da GYMNUSP e Grupo Ginástico Unicamp têm destaque, assim como as representantes mineiras da PUC Minas e Ginástica de Diamantina.

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(Foto: Olavo Prazeres)