Os pés pelas mãos
Por mim, a luz pode continuar apagada em Resistencia, capital da província de Chaco, na Argentina. Esse tal Superclássico das Américas, disputado todos anos entre as seleções brasileira e argentina, é uma balela sem tamanho. Querem banalizar aquele que talvez seja o único duelo em que o torcedor nacional ainda se prende diante da TV, independente dos jogadores convocados e do torneio que esteja sendo disputado. Nenhuma rivalidade resiste a dois amistosos oficiosos por ano, em mais uma clara tentativa de CBF e AFA de engordar ainda mais seus cofres.
O tal campeonato em questão não faz sentido algum. A proposta de seleções caseiras resulta em um amontoado de jogadores que estão longe de ser sequer um esboço das equipes principais dos dois países. O amistoso é tudo menos um Brasil x Argentina de verdade, que é impensável sem a presença do craque hermano, Lionel Messi. Não serve nem como preparação para a reformulada equipe de Mano Menezes, nem de teste, já que vemos jogadores sem chances de serem aproveitados no time de cima, como o lateral-esquerdo Fábio Santos, do Corinthians, atuando como titular. Melhor do que ver um selecionado fake, é ver os atletas que atuam no Brasil jogando por aqui, em gramados tupiniquins, defendendo os times que pagam os seus salários. O fato é que o Superclássico terá sempre um perdedor definido: o Campeonato Brasileiro.
O pior é ver alguns jogadores reivindicarem a taça – ou seria o ouro de tolo? – mesmo sem a bola ter rolado para valer. Não bastava o mico ter terminado em pizza de verdade, há quem pleiteia a tradicional pizza à brasileira. Que o apagão de Resistência represente uma luz no fim do túnel do bom senso, e que os dirigentes esqueçam de vez este torneio chinfrim e preservem o mais charmoso e disputado clássico do futebol mundial.









