Troca cultural com voluntários
Troca cultural, aproximação das relações internacionais e reflexão sobre as formas de ensino e a relação aluno/professor foram alguns dos legados deixados pelos ingleses que passaram 45 dias em Juiz de Fora. Eles vieram à cidade para um período de aclimatação antes de inciarem o trabalho voluntário nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O objetivo foi aprender português e conhecer a cultura brasileira. “Achamos sempre que tudo é muito distante da gente, porém, a vinda desses voluntários trouxe a percepção aos nossos alunos de que a internacionalização acontece na nossa janela”, reflete o assessor de relações internacionais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste), Wagner Belo.
A presença dos estrangeiros em Juiz de Fora é fruto de uma parceria do instituto com uma agência inglesa.”A proposta era proporcionar a eles uma imersão na cultura brasileira. Montamos um curso real com 20 horas semanais de aulas de português, e fizemos parcerias com instituições da cidade para que esses estudantes realizassem trabalho voluntário no contraturno, tendo, assim, contato com o português na vida real, fora das amarras de ensino de língua estrangeira. Eles conseguiram viver de fato a cidade.” Um desses ingleses é Baye Kabelu, que teve sua experiência em Juiz de Fora mostrada recentemente pela Tribuna.
O resultado dessas parcerias não poderia ter sido melhor. Os estrangeiros conseguiram evoluir no português, e os alunos do IF Sudeste tiveram a oportunidade de, pela primeira vez, ter um contato próximo com uma cultura e língua diferentes. “O que mais me surpreendeu foi ver como a perspectiva dos nossos alunos do ensino médio mudou. Mudou o olhar deles para o internacional, para o que estudar fora e melhorar o inglês. Essa convivência foi extremamente enriquecedora”, relata a coordenadora e professora do curso de português, Luciana Kreutzfeld.
Os ingleses tiveram aulas todos os dias, das 9h20 às 13h, de gramática, conversação, música e programa de televisão. A cada semana, era trabalhado um tema do cotidiano, como apresentação, profissão e até temas relacionados ao Rio de Janeiro, aos esportes olímpicos e às tarefas que eles deverão desempenhar como voluntários dos Jogos. Já na parte da tarde, eles realizavam quatro horas de trabalho voluntário. Nove instituições receberam os doze intercambistas, entre elas, a Empresa Júnior Rumos, da Faculdade de Turismo da UFJF, o Educandário Carlos Chagas e o próprio IF Sudeste.
“No início, foi complicado, pois tínhamos 12 alunos com diferentes níveis dentro de uma sala de aula. Alguns não falavam absolutamente nada em português, e outros tinham excelente noção de espanhol, o que os ajudou muito. Buscamos mesclar aulas mais avançadas com outras mais básicas. No final das seis semanas, os que não sabiam nada de português tiveram um grande avanço. Já os que tinham noção de espanhol, conseguiram avançar muito no português, apesar de mesclar um pouco com o espanhol. Alguns saíram falando fluentemente, até mesmo gírias”, relatou Luciana.
Segundo ela, as aulas de música eram sempre um sucesso entre os alunos, que se encantaram com a melodia de “Metamorfose ambulante”, de Raul Seixas. Porém, o que os estrangeiros mais gostaram foi do funk. “Estamos até marcando de ir a um baile funk no Rio, no dia 13”, conta Wagner Belo.
Auxílio no inglês
Os voluntários não apenas aprenderam o português, como auxiliaram os estudantes do IF Sudeste com o inglês, participando das aulas da disciplina nas turmas de ensino médio. “Eu levei quatro estrangeiros para a minha aula de inglês, em uma turma que tinha muita vergonha de falar o idioma. Eu os coloquei em grupos e incentivei os alunos a conversarem em inglês. Eles tentaram mesmo, e como tinham curiosidades, foram perguntando várias coisas. Foi uma aula brilhante. O intercâmbio efetivamente aconteceu”, empolga-se Luciana. Os visitantes seguiram para o Rio no último domingo.









