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Tupi vai às compras


Por Wallace Mattos

05/05/2012 às 05h00

Com base em um elenco formado ainda na temporada de 2010 e tentando manter a maioria do grupo que foi campeão mineiro do interior, começou na última semana a reformulação do grupo do Tupi para a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro. A estreia está marcada para o dia 26 de maio, às 16h, contra o Duque de Caxias, em Juiz de Fora, em partida que vai marcar não só o inicio da caminhada do Carijó na Terceira Divisão de 2012, como também celebrar o centenário do clube, já que será jogada na data precisa da fundação do Alvinegro de Santa Terezinha.

Mas o técnico Moacir Júnior quer ter na mão seu elenco muito antes da estreia na Série C. Por isso, a semana que se inicia hoje será decisiva na contratação e apresentação de reforços. Os movimentos de mercado que envolvem o Carijó já começaram na última semana, e o Tupi trouxe o zagueiro Adalberto – campeão da Série D do Brasileirão com o Tupi em 2011 e que estava no Americano, no qual disputou o Campeonato Carioca e foi comandado por Moacir – como primeiro reforço para o segundo semestre.

Na próxima quarta-feira, está prevista a chegada do atacante Deon, 24 anos. O jogador, que marcou oito gols pelo Atlético Atlético Alagoinhas no último Campeonato Baiano, já tem acerto verbal com o carijó.

O clube local também já não conta com três atletas que compuseram o grupo do Mineiro. O volante Jailton – titular durante toda a campanha no Estadual – e o meia Ulisses – utilizado com frequência por Moacir Júnior -, além do atacante Evandro Paulista, todos com contrato que venceria neste mês de maio (veja a situação completa do elenco carijó na arte), deixaram Santa Terezinha.

Outros atletas negociam sua permanência para a Série C, como é o caso dos meias Henrique e Michel Cury, por exemplo, e a diretoria já avisou que terá que haver sacrifícios. Quem permanecer tem que entender que nosso orçamento diminui no segundo semestre em relação ao Mineiro. Trabalhamos com cerca de 60% da verba. Então, não há como mantermos os salários no mesmo patamar, explica o vice-presidente de futebol, José Roberto Maranhas. Mas também não seguramos ninguém. Mesmo se o atleta tiver contrato em vigor e conseguir uma equipe que mantenha seu patamar salarial ou aumente seus vencimentos, está liberado, completa.

Um time todo

Sabendo das dificuldades financeiras do clube, o técnico Moacir Júnior concorda que a diretoria não poderá fazer loucuras, mas já tratou de pedir reforços para todas as posições. Acho importante tentar reforçar alguns setores, dentro do orçamento do clube e da vontade dos atletas em vir e vestir a camisa do Tupi. Para mim, uma reformulação passa por todos os setores. Se dependesse só da minha vontade, chegaria aí, um goleiro, um lateral-direito, um lateral-esquerdo, um segundo volante, um ou dois terceiro homem – que a gente não tinha -, um meia-atacante, um atacante de beirada, uma atacante de área, ou seja, praticamente um jogador por posição. Não com o intuito de repor ou tirar, mas com a intenção de fazer com que quem está aqui e bem melhore ainda mais sua performance, deseja o treinador.

Mesmo sem citar as posições nas quais são mais necessários os reforços, Maranhas sabe que o Carijó precisa mesmo ir ao mercado para conseguir atletas de bom nível em todos os setores. Se perdermos, por exemplo, o Michel Cury, teremos que achar um meia que venha para ser titular, não tem jeito. E o restante das contratações seguirá a mesma filosofia. Buscamos atletas em condições de atuar e que, se não chegam para jogar, podem, em breve, ganhar a posição. A Série C é longa e precisamos de um grupo forte, acredita.

Conseguir montar esse elenco com força para a disputa da Terceira Divisão mesmo com o orçamento apertado é o principal desafio da diretoria carijó. Para isso, segundo o vice-presidente financeiro do clube, Cloves Santos, o segredo é trabalhar. Desde 2008, sempre conseguimos montar bons elencos, mesmo sem grandes recursos para trabalhar, principalmente no segundo semestre. Confio muito no trabalho que sempre realizamos, descobrindo jogadores aqui e ali e, principalmente, trazendo atletas comprometidos quando vestem a camisa do Tupi.

Especulações

Embora os dirigentes e o técnico Moacir Júnior não citem nomes de jogadores específicos, eles já são especulados em Santa Terezinha. Conhecidos da torcida do Tupi e que trabalharam com o comandante alvinegro no começo do ano no Americano, como o volante Caetano e o meia Pachola, além de atletas que enfrentaram o Carijó no Mineiro, como o goleiro Alex e o atacante uruguaio Luis Oyarbide, ambos do Democrata-GV, circulam entre os jornalistas que cobrem o dia a dia do clube.

Existem comentários também sobre a saída de atletas que se destacaram no Estadual. Alguns deles disseram que foram sondados por outros clubes, como o goleiro Rodrigo, o lateral-direito Flávio e o volante George, mas todos afirmam querer ficar e jogar a Série C pelo Tupi.

Já o caso do zagueiro Wesley Ladeira, um dos principais atletas do Carijó no Mineiro 2012, é peculiar. Indagado pela imprensa se tinha alguma proposta, o jogador, que não tem empresário, afirmou não saber nem se a diretoria recebeu ou não algum contato. Se existe alguma coisa, não passaram nada para mim. Fiquei sabendo que poderia haver algo através de vocês (jornalistas) me perguntando. Vou até procurar saber da diretoria, disse, bem humorado, o defensor.

Conselhos do capitão

Com o contrato mais longo do elenco – até o final de 2013 -, o experiente Ademilson não está entre os atletas envolvidos em negociações. Mas, aos 37 anos, já passou algumas vezes por esse período e sabe bem o que o profissional quer nessa hora. Depois da campanha que a gente fez, desde o ano passado, completando esse ano no Mineiro, no qual conseguimos o objetivo de ficar entre os quatro classificados para as semifinais, a gente busca melhores salários. Estuda propostas para sair. Quando consegue é bom, mas se fica, também permanece com moral, explica.

Capitão e ídolo da torcida, o centroavante carijó sabe da importância dessa época de contratações e espera que o Tupi acerte nas escolhas. Quem permanece fica esperando poder manter o desempenho no clube. A chegada de bons jogadores é importante. Não adianta nada você ficar em um clube onde chegam jogadores que não vão acrescentar nada e você entra no campeonato e é rebaixado. Então, tudo o que você fez no clube vai por água abaixo. Mas isso não vai acontecer aqui. A diretoria e o Moacir estão trabalhando e sei que vai chegar gente de qualidade para nos ajudar a manter a sequência de boas campanhas, prevê Ademilson.

O camisa 9 aconselha quem vai ficar e quem está chegando a se dedicar ao máximo. Aqui tem que dar sempre um algo a mais. O Tupi é uma grande casa, onde torcedores e diretoria te acolhem, então tem que trabalhar. Dar a vida pelo clube mesmo, diz Ademilson.