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Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

05/03/2013 às 07h00

Injustiça no futebol

Caros e caras, um encontro depois de a bola ter parado de rolar no Estádio Municipal me provocou uma reflexão. Ao cruzar com o companheiro Thiago Stephan, do portal Toque de Bola, este me demonstrou sua chateação com o empate do Tupi com o América. Ele considerou o jogo uma injustiça com o Carijó, que merecia a vitória. Bom, minha opinião é bem diferente. Para mim, não existe injustiça no futebol. O que conta é bola na rede.

Segundo o Houaiss de meu computador, injustiça é a ‘ausência de justiça, a violação do direto de outrem ou ato ou decisão contrário à justiça’. Por isso, acho que no ludopédio só se pode falar em injustiça quando há algo de ilícito permitido por quem zela pelas regras do jogo limpo. Por exemplo, se um time empatou ou perdeu com um gol de mão (Barcos que o diga), em completo impedimento ignorado pela arbitragem ou de qualquer outra maneira ilegal que foi validada, aí sim é injusto. No mais, é competência e eficiência.

Na minha visão, era isso que ia acontecendo no domingo. O Tupi não começou bem, o infindável Fábio Júnior teve duas chances próximo à pequena área carijó em 15 minutos, ambas defendidas espetacularmente pelo jovem Tadeu. Depois, a equipe local assentou a poeira, colocou a bola para rolar e dominou as ações. Mas era um festival de bolas nas mãos do Neneca que vou te contar. A coluna do goleiro do América deve ter esticado uns 15cm só no primeiro tempo, de tanto que ele saiu do gol para buscar os cruzamentos.

Na volta do intervalo, o domínio territorial do Carijó continuou, mas quem fez foi o Coelho, em jogada ensaiada – e manjada – de falta da intermediária. Questão de competência e eficiência: enquanto os jogadores do Tupi que iam ao fundo ou cobravam as faltas laterais não conseguiam acertar o pé, o meia Rodriguinho achou o zagueiro Lula livre para marcar. A pressão do time da casa aumentou – diga-se de passagem, nenhum sinal de abatimento se percebeu dentro de campo no Mário Helênio -, os atacantes chegavam mais próximos à área, já não cruzavam de qualquer maneira e cada ataque dos juiz-foranos era um pesadelo para a defesa visitante. Até que Neneca resolveu que estava jogando bem demais e deu um rapa no atacante Wesley, no momento de costas para o gol, fazendo pênalti, convertido pelo lateral-esquerdo Alonso.

Claro, vi que o Tupi jogou melhor, dominou as ações e considero justos os aplausos do torcedor mesmo após o empate, embora isso não me faça considerar o resultado uma injustiça como o Thiagão. Mas que uma das bolinhas marotas desse jogo podia ter dado a vitória ao Carijó, isso podia…