Gansos na torcida, pets jogadores e cadela que não curte jogo: animais também entram em clima de Copa do Mundo
Tutores contam como seus pets vivem a experiência do Mundial
Enquanto em Juiz de Fora o macaco-bugio Cornélio assiste às missas da Paróquia Mãe de Deus, os pets engajados com a Copa do Mundo estão espalhados por todo o território nacional. Em Minas Gerais, a bicharada está dividida: dos gansos torcedores à cachorrinha que não gosta de futebol, poucos são os pets que não estão em clima de Mundial.
Gansos torcedores
Em Piedade do Rio Grande – município localizado a 175 km de Juiz de Fora e que conta com cerca de 4.600 habitantes -, os sete gansos de estimação de Francisco Silva já estão uniformizados para torcer. O blogueiro e aposentado conta que os animais saem para passear com ele “como se fossem cachorrinhos”.
“Os gansinhos só acompanham eu, eles não acompanham os meus meninos e nem dão atenção pra estranho, somente pra mim”, afirma, orgulhoso, à Tribuna de Minas.
As aves nasceram no estado de São Paulo e vieram para o interior de Minas Gerais assim que nasceram. Mas depois disso, já “passearam” muito: o que começou como uma caminhada de 200 metros até a praça da cidade, se transformou em visitas à rios e cachoeiras. Tudo isso com uma garrafa de água debaixo do braço. “É muito calor, aí tem que carregar uma garrafa de água pra ir parando e dando uma aguinha pra eles”, explica Francisco.
E para os animais, que já estão acostumados com a mordomia de serem tratados como pets, os acessórios para torcer para a Seleção Brasileira não são uma surpresa: Francisco até tentou pedir os adereços pela internet, mas com a proximidade do primeiro jogo, decidiu adaptar algumas bandeirinhas para os bichinhos entrarem no clima.
“Eu fiquei com medo de não chegar a tempo para o primeiro jogo aqui da Copa, que a prefeita põe telão aqui no centro da cidade. Aí eu tive a ideia de comprar as bandeirinhas para colocar neles. Tirei uma fitinha da própria bandeirinha, aí eu fiz a argolinha como se fosse um babador de criança e coloquei aí no pescocinho deles”, relembra o blogueiro.
Estratégia para adoção
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Já no Canil de Juiz de Fora, sob responsabilidade da administração municipal, a Copa do Mundo se tornou estratégia para incentivar a adoção. Os assessores João Pedro Machado e Camila Santos, que integram a assessoria de comunicação da Secretaria de Bem-Estar Animal (SEBEAL), defendem que dar nomes de figuras públicas ou personagens conhecidos aos animais cria uma conexão emocional imediata com o público.
“Como os torcedores são extremamente apaixonados por seus clubes e ídolos, um animal com o nome de um jogador desperta identificação, curiosidade e engajamento. O resultado é que esses torcedores compartilham a publicação, comentam e ajudam a divulgar o pet para outros fãs do seu time, aumentando significativamente o alcance da campanha e, consequentemente, as chances de adoção”, argumentam. No caso do Mundial, o efeito é ainda maior: poucos são os brasileiros que não se engajaram com a competição.
E a campanha teve resultado: além das mais de 50 mil visualizações no Instagram, sete dos oito animais que foram batizados em homenagem aos jogadores da Seleção Brasileira já foram adotados. Mas ainda há muitos animais no Canil Municipal à espera de amor, carinho e companhia para torcer pelo Brasil.
Quem tiver o desejo de adotar, pode procurar a Secretaria de Bem-Estar Animal e o Canil Municipal nos eventos de adoção responsável ou na própria sede do Canil, munido de documentos pessoais, uma guia e coleira para cães ou caixa de transporte para gatos. Será realizada uma entrevista com o tutor para formalizar a adoção. Outras informações podem ser consultadas pelo número (32) 98416-3648.
Jogos dividem opiniões

Karine Valgas, tutora da pug Sol, de Belo Horizonte – município localizado a 270 km de Juiz de Fora -, conta que na sua casa, os dias de jogos são, no mínimo, agitados. A cadela não é a maior fã de futebol e late sempre que um jogo aparece na TV.
“Sempre que ela vê o futebol na televisão, ela late. Agora na copa é só escutar o ‘Brasil sil sil’ que ela vira para a TV”, conta a tutora.
Para Karine, a comoção nacional gerada pelo Mundial também contribui para as alterações na sua rotina.
“Ela (a Sol) fica mais agitada, porque além de escutar a transmissão na TV, tem os gritos, buzinas externas“, elenca.
Mas mesmo com a agitação dos jogos, a pug não altera a rotina da vizinhança: “Ela só dá uns latidinhos que ninguém escuta, porque é baixo e rouquinho”, pontua a tutora, entre risadas. Mas se a pet tem as suas ressalvas sobre os jogos, a família está animada em dobro – até acessórios para a torcida a cadelinha ganhou.
Cuidados necessários
Apesar da vontade de incluir os animais na torcida pela Seleção Brasileira, o médico veterinário Rômulo de Castro alerta para cuidados necessários com os pets torcedores. No caso dos acessórios, é preciso evitar o uso de tintas tóxicas, adesivos, colas e tecidos sintéticos, que podem causas prejuízos à pele dos bichinhos.
Também é preciso se atentar às comemorações, especialmente aos fogos de artifício. No caso dos barulhos, o veterinário alerta: “Há uma descarga de adrenalina nestes animais, né? Então eles ficam muito deprimidos ou, senão, eles ficam muito excitados. E a parte endócrina também é prejudicial, entendeu? Sobem as taxas de glicose deles”.
A luminosidade também contribui para a excitação do sistema neuroendócrino dos animais. Como defende Rômulo, o importante é garantir que a torcida e a animação com a Copa do Mundo não prejudiquem a saúde e a tranquilidade dos bichinhos.
*Estagiária sob supervisão do editor Arthur Raposo Gomes.









