Dos veteranos aos estreantes: bolões da Copa movimentam grupos de amigos em Juiz de Fora
Luiz Paulo Cabral organiza bolões há mais de 20 anos; Felipe Rodrigues testa o primeiro com seus amigos
Muito além dos 90 minutos, a Copa do Mundo também é disputada nos bolões. Em Juiz de Fora, grupos de amigos transformam cada rodada em uma competição paralela, marcada por palpites, brincadeiras, análises e algumas “zebras” capazes de derrubar até os apostadores mais experientes. Enquanto alguns organizam bolões há mais de duas décadas, outros aproveitam o Mundial para reunir os amigos pela primeira vez.

No bairro Granbery, o administrador de empresas e gestor de competições esportivas, Luiz Paulo Knop de Mendonça Cabral, de 43 anos, é uma autoridade no assunto. O que começou como uma brincadeira entre amigos de faculdade em 2001, sobre os jogos do Brasileirão, evoluiu para uma trajetória impressionante.
“Em 2005, passei a organizar (bolões sobre) outras competições e divulgar de forma mais séria”, conta Luiz Paulo, que estima já ter realizado cerca de 100 bolões ao longo da vida, cobrindo desde Fórmula 1 e tênis até grandes torneios como a Champions League e Olimpíadas.
No bolão da Copa deste ano, Luiz Paulo coordena um grupo de 83 participantes. A estrutura é planejada da seguinte maneira: há premiações para os cinco melhores do ranking geral, além de prêmios específicos para os vencedores de cada rodada da fase de grupos e da segunda fase.
A experiência, no entanto, não blinda o organizador contra as surpresas do esporte. Luiz Paulo destaca que o palpite mais inusitado desta edição foi a aposta de dois competidores na vitória da Argélia contra a poderosa Argentina. “É um jogo que nunca me passou pela cabeça que a Argentina perderia”, confessa.
A imprevisibilidade foi a marca de jogos como Espanha x Cabo Verde, Portugal x República Democrática do Congo e Equador x Curaçao. Nestes confrontos, o favoritismo absoluto dos gigantes europeus e sul-americanos fez com que 100% dos participantes apostassem em vitórias – muitos, por goleada. O resultado? Empates que deixaram todos os apostadores de mãos vazias.
Tecnologia e a sorte do iniciante
Enquanto alguns possuem décadas de tradição, outros encontram na tecnologia a porta de entrada para esse universo. É o caso de Felipe Rodrigues, de 24 anos, empresário e morador do bairro Aeroporto. Ele começou a organizar seu primeiro bolão este ano, motivado por uma plataforma que descobriu através da rede social X (antigo Twitter).
“Achei um site que simplificava muito a forma e seria bem inclusivo”, explica Felipe. Com cerca de 30 participantes, todos amigos do jovem, o bolão divide as premiações entre a fase de grupos, o mata-mata e o ranking geral.
Para o empresário, o bolão deste ano trouxe momentos quase surreais, como um palpite de 5 a 3 para a Tunísia contra o Japão – o jogo terminou em 4 a 0 para os japoneses. Para Felipe, a lógica do futebol é secundária: “No final de tudo, acho que é mais sorte do que conhecimento. Quem tem conhecimento sabe mais ou menos como vai ser o jogo, mas o futebol é muito imprevisível. A sorte prevalece”, avalia.
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