No caminho certo
Na cultura do futebol brasileiro, dizem que o vice-campeão é o primeiro dos últimos. Mas não é bem por aí. Há méritos, muitas vezes grandiosos, em campanhas que não resultam em títulos. É preciso ter discernimento de onde cada equipe pode chegar. A eliminação do Tupi no último sábado na derrota por 1 a 0 para o Atlético, nas semifinais do Campeonato Mineiro, foi dolorosa. Porém, a grande vitória carijó foi ter feito uma sequência de três partidas jogando de igual para igual com uma equipe de orçamento de Série A, com possibilidades reais de vitória em todos os confrontos.
Mais do que campeão do Interior, o Tupi deixou o Estadual pela porta da frente. Com a certeza de ter uma equipe competitiva e uma estrutura sólida no ano de seu centenário. Os bons resultados no Mineiro apenas ratificaram o respeito dos adversários, a confiança dos jogadores, e a empatia da torcida. Sentimentos afiançados na conquista da Série D. Às vésperas de seus cem anos, o Carijó é um garoto com aspirações ousadas e, aparentemente, com saúde para lutar por seus objetivos.
No cenário futebolístico, o clube parece ter encontrado o caminho certo. Todavia, não há espaços para acomodações. Para chegar à Série C com chances reais de conquistar uma das quatro vagas na Segundona em 2013 é preciso mais do que manter a base campeã brasileira e interiorana. São necessários reforços em todos os setores. A Terceirona é um torneio longo, e a trajetória até o acesso abrange, no mínimo, 20 jogos. Há de existir peças de reposição de qualidade à disposição de Moacir Júnior, algo que faltou em alguns confrontos do Mineiro, como no segundo jogo da semifinal, quando o Carijó atuou sem um lateral-esquerdo de ofício.
A intenção da diretoria é contratar por atacado. Na previsão atual, um goleiro, dois volantes, dois meias, dois laterais e dois atacantes estão na pauta. Sem incluir algumas baixas que deverão surgir, incluiria neste pacote a contratação de mais um zagueiro. Não quero entrar no mérito sobre os nomes, mas é preciso que pelo menos metade destes reforços chegue para ser titular. Em um ano festivo, a possibilidade de chegar à Série B e sentar na mesa dos 40 maiores clubes é uma oportunidade de ouro. Vale a pena, até, raspar os cofres, pois uma campanha vitoriosa trará um retorno financeiro até há bem pouco tempo inimaginável.









