Uma fera de olho nas Olimpíadas
Jabs, cruzados, clinchs, o título do campeonato nacional da Suíça e um único objetivo: representar o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Este é o breve resumo da temporada 2012 da boxer brasileira Viviane Obenauf. Aos 26 anos, 11 combates, dez vitórias e um empate, a lutadora golpeia as oponentes e as improbabilidades. O sucesso nos ringues europeus veio após um início incomum. Morando na cidade suíça da Basileia desde 2008, Viviane recorreu ao boxe no final de 2011 para recuperar a boa forma após ter sido mãe pela primeira vez, em fevereiro do mesmo ano. Os primeiros socos vieram acompanhados da desconfiança do marido, que virou incentivador após o primeiro triunfo e, mais ainda, a conquista do cinturão em novembro do ano passado.
"Depois que meu filho nasceu, engordei muito. Precisava fazer algo que eu gostava para recuperar minha forma. Não queria simplesmente fazer step ou hidroginástica. O único esporte que realmente gostava era o boxe. No início, meu marido torceu o nariz, achava o esporte agressivo. Comecei a treinar e perdi 14 quilos. Após alguns testes, meu treinador queria me colocar para lutar. Mas como ia falar isso para o meu marido? Minimizei e disse que era só uma lutinha. Uma brincadeira. A menina tinha 14 combates, e eu estreando. Fui lá e ganhei. Depois disso, não quis mais parar", conta Viviane, orgulhosa.
Natural da cidade fluminense de Três Rios, a lutadora tem uma ligação íntima com Juiz de Fora, onde esteve para visitar a família no mês passado. Ela veio viver na cidade quando tinha apenas 9 anos. Então moradora do Bairro São Pedro, teve as primeiras experiências com o mundo esportivo na adolescência, valendo-se das oportunidades oferecidas pela UFJF. Corridas de rua e ginástica olímpica foram só um aperitivo até Viviane conhecer o boxe. Apesar da paixão pela modalidade, os primeiros contatos não deram frutos: beijaram a lona. "Treinei com o professor Sergipe e fiz sparring de uma ou outra lutadora. Mas não me dedicava muito ao esporte naquela época. Fazia faculdade de enfermagem e não tinha muito tempo."
Aos 19 anos, a vida da boxeadora deu uma reviravolta. Ela se mudou para o Rio de Janeiro para trabalhar e tentar concluir a faculdade. Entretanto, dois anos depois, decidiu fazer um tour pela Europa. "Meu patrão era italiano e me convenceu a fazer a viagem como forma de aprendizado. Passei dois meses lá. A última parada foi na Suíça. Lá, conheci meu marido. Quando voltei para o Brasil, ele veio comigo. Acabamos nos casando."
Maturidade
O casamento foi o divisor de águas para Viviane. Mais concentrada e madura após a gravidez, a boxeadora encarou o esporte de uma outra maneira. Resolveu dar a cara a tapa e colecionou vitórias. Agora sonha em fazer algumas lutas no Brasil para garantir uma vaga nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. As primeiras conversas nesse sentido já foram iniciadas. "Tenho agora um encontro com dirigentes brasileiros. Meu marido é austríaco, nós moramos na Suíça, e eu posso tirar o passaporte pelos dois países. Mas quero lutar pelo Brasil e preciso decidir o quanto antes minha situação."









