Ouça agora

Nada no balaio


Por RICARDO MIRANDA

03/02/2012 às 07h00

Seis por meia dúzia

Parece até que a lógica se inverteu. Antes, quando havia menor frequência na troca de ministros, duas baixas consecutivas no governo em um curto espaço de tempo levavam sempre à comparação com o troca-troca de técnicos pelos clubes de futebol. Quando o Flamengo anunciou a saída de Luxemburgo, ainda na quinta-feira, sob o pretexto de faxina, a piada se inverteu. Se continuar assim, dizia o comentarista, vai se tornar como o governo da presidente Dilma Rousseff, no qual se muda de comando mensalmente.

O problema, tanto lá quanto cá, não é a mudança em si, na maioria das vezes necessária, mas o substituto. Trocar seis por meia dúzia é estratégia apenas para dar carne aos leões da mídia e das arquibancadas. No caso do Flamengo, tirar a trupe do Luxemburgo e importar de Minas o Eduardo Maluf com o argumento de faxina é, no mínimo, desconhecimento de causa. Fora isso, há o estilo. Há mais de um ano na Gávea, jogadores habituados ao estilo Luxemburgo terão que se adaptar ao Papai Joel (Santana). Tudo bem que, a bem da verdade, nesse caso, não há adaptação a ser feita.

Em Brasília ou em qualquer clube de futebol brasileiro, a experiência tem mostrado que a insistência na troca é um equívoco. Trabalho em conjunto, em médio e longo prazo, produz resultados melhores, que o diga o Barcelona. Mas, para ficar em um exemplo caseiro, veja o caso do Tupi. O gol no final do jogo contra a Caldense, no último domingo, não foi fiel à proposta do Carijó para o Mineiro de 2012. Com a base de 2011 mantida e com boas contratações, o Tupi hoje é o interiorano com mais chances de chegar à semifinal.