Os pés pelas mãos RENATO SALLES
São vários fatores que me fazem ser um crítico dos pontos corridos. Ainda mais no Brasil, onde existem três campeonatos dentro de um só: um quando os times que disputam as finais de Libertadores e Copa do Brasil atuam com equipes mistas, e outros dois antes e depois da tal janela de transferências internacionais. Apenas essa situação já é suficiente para questionar os critérios que levam muitos a exaltar a fórmula como a mais justa. Enfim, o que me incomoda mesmo é a possibilidade de um torneio acabar na véspera como o deste ano, já empacotado e despachado por Sedex 10 em direção às Laranjeiras. Contraria até a mais idiota máxima do futebol que determina que o jogo só termina quando acaba.
O que mais me assusta é a forma como uma equipe forte como Atlético deste ano vai se despedindo da disputa pelo caneco sonhado há quatro décadas. Dentro das quatro linhas, o Galo não deve nada ao Tricolor, virtual campeão. Na bola, equivalem-se, visto o vareio que os mineiros aplicaram sobre os cariocas no último confronto direto. A principal diferença entre as equipes está no emocional. Enquanto o Flu desfila em campo de forma blasé, sempre com a certeza da vitória, independente do placar ou da forma como é atacado pelo adversário, o time das Alterosas parece entrar em campo sempre com o placar adverso, perdendo por 1 a 0 para os próprios nervos. Foi exatamente a passionalidade extrema que tirou do vice-líder o que poderia ser uma vitória tranquila sobre um inconstante Flamengo que jogava com um a menos na última quarta-feira.
Há razão para destempero? Sim! Qual? Cuca! O treinador esquentado e fanfarrão – como definiu Fred – é demasiado passional à beira do campo ou nas entrevistas. Acaba contaminando o grupo. Foi assim no Botafogo. É assim no Atlético, que vai dando adeus à sua melhor oportunidade de conquistar um título nacional deste 1971, pois, ao que parece, o campeão do gelo e da frieza emocional será mesmo o Flu das Laranjeiras.









