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Na orelha da bola


Por WENDELL GUIDUCCI

02/02/2012 às 07h00

Entre as novelas e o Femen

Eu sei que isso não tem a menor relevância para o leitor, mas nas últimas três semanas eu troquei meu posto de editor de esporte para passar férias no resort do Caderno Dois, trabalhando com o pessoal da cultura e me divertindo com música, cinema, teatro, artes plásticas, literatura e todas estas coisas boas das quais gosto muito. Hoje é meu último dia lá, e amanhã já estarei de volta cá. E nesses dias eu pude chegar cedo em casa, ou chegar cedo ao bar, e acompanhar futebol como torcedor, em vez de acompanhar as partidas com olho crítico e já pensando em como seriam as manchetes, os chapéus, os bigodes, os leads, sub-leads e tantos outros termos que não fazem sentido algum para quem não trabalha em jornal.

Mas, do lado de lá da mesa, o companheiro Wallace – aqui é assim: eu sento de frente para ele, separados somente pela divisória, pelos monitores de nosso computadores e alguns anos de idade – também teve seu envolvimento com a cultura do esporte, acompanhando um monte de novelas.

Acompanhou a novela do Thiago Neves, cujo capítulo final foi nas Laranjeiras.

Acompanhou a novela do Vagner Love, que começou em Moscou e terminou no Ninho do Urubu.

Acompanhou a novela do Nilmar, que ainda se desenrola em capítulos lentos e sem previsão de encerramento.

Acompanhou a novela do Tevez, que vai ficar mais tempo no ar do que Chaves, mesmo com Kia, Manchester City, Carlitos e Andres Sanchez repetindo as piadas (e a gente continua rindo).

E acompanhou o barraco salarial no Cruzeiro.

Eu, de minha parte, vi o Flamengo jogar duas vezes com o Potosí, vi o Santos jogar sem o Neymar (o que não teve a menor graça), vi o Atlético ganhar do Boa e ser vaiado assim mesmo, e ouvi o Tupi estrear com derrota no Mineiro. Mas tudo meio assim, largado pra lá. Neste fim de semana muda tudo, está de volta o profissionalismo!

Mas enquanto me resta este último dia no resort, deixo as novelas para o Wallace e fico aqui indignado com notícias esportivas mais importantes neste atual momento editorial. Como essa, que vem da Suíça: as moças do grupo feminista Femen – que são ucranianas – tiraram a parte de cima da roupa ontem, num frio danado, coitadas, em protesto contra a realização da Copa do Mundo de Hóquei na Bielorrússia em 2014. Tudo isso porque o país é governado desde 1994 pelo ditador Alexander Lukashenko. Ora, me parece que vão ter de se esforçar bem mais para derrubar o presidente. E eu acho muito bonito que as pessoas lutem assim tão firmes por suas causas. Muito mesmo.