Na orelha da bola: a implosão do Brasileirão
Nana Gouvêa não precisava ter ido tão longe para fazer pose em meio à desgraça. O cenário da Nova York castigada pelo furacão Sandy poderia muito bem ter sido substituído em suas fotos impagáveis por uma sala do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, ou do Palestra Itália, ou então da Confederação Brasileira de Futebol. Afinal, o que é esse imbróglio envolvendo o jogo de semana passada entre Palmeiras e Internacional senão uma lastimável, execrável e patente tragédia?
Ou não é trágico um clube recorrer a especialista em leitura labial para resolver sua incompetência dentro das quatro linhas? O STJD não deveria sequer ter acatado o pedido de impugnação da partida feito pelo Palmeiras. É um absurdo tão grande… Se a alegação é de que o juiz usou recurso proibido pela Fifa – a suposta ajuda de equipamento audiovisual para anular o escandaloso gol de mão de Barcos, que daria o empate do Verdão -, quem deve ser punido é o árbitro, ou então o delegado do jogo, que teria informado a arbitragem da maradonice com base em imagens de TV.
Mas, não. Colocam a partida sub judice e punem o Campeonato Brasileiro. Aí vão 15 dias de blá-blá-blá, o STJD como gosta, no centro dos debates, e as equipes da parte de baixo da tabela convivendo com uma insegurança sem sentido, especialmente Sport e Bahia – Figueirense e Atlético-GO, com todo o respeito, pela situação em que estão e pelo que vêm jogando, já estão rebaixados.
O debate do uso ou não do recurso eletrônico no futebol é válido, sem sombra de dúvida. Eu, particularmente, sou contra alguns e a favor de outros, mas, vejam bem, não é isso que estamos discutindo agora. O que se discute é a impugnação de um jogo em função de um ACERTO do juiz, a anulação do gol de mão de Barcos. Percebem o tamanho do absurdo?
A atitude do Palmeiras – que não reclamou quando ganhou do Flamengo de 1 a 0 no primeiro turno com um gol ilegal do mesmo Barcos -, se culminar em anulação da partida, algo em que não acredito, abriria um precedente que certamente levaria à implosão do Campeonato Brasileiro de 2012. Sim, porque absolutamente todos os times, em algum momento, foram prejudicados por erros da arbitragem no decorrer destas trinta e tantas rodadas. E, com justiça, exigiriam tratamento igual.









