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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

01/03/2013 às 07h00

E a emoção?

Confesso que nunca fui muito fã do incensado formato de disputa adotado pelo Campeonato Carioca nos últimos anos. O que muitos entendem como emocionante, pela infinita quantidade de decisões e clássicos proporcionados pelo regulamento, enxergo mais como banalização daqueles momentos que mais fomentam nossa paixão pela bola, que são os embates com os rivais históricos e os jogos finais. Mais ou menos como aquela história que diz que quando o prazer vira rotina, deixa de ser prazer e passa a ser só rotina.

Entre uma e outra temporada, costuma surgir uma novidade. A bola da vez é a extinção das disputas de pênaltis nos jogos semifinais e finais das taças Guanabara e Rio. Uma medida desnecessária, só justificada por influência das TVs, que consideram suas grades de programação sagradas. Os cariocas, que gostam tanto de alardear a emoção de seu Estadual, deram um tiro no pé. Quem gosta de futebol, gosta também das penalidades, desde que o time de coração não esteja envolvido.

Olhando pelo critério desportivo, a mudança no regulamento é falha no quesito justiça. Por se tratar de um jogo só e em campo neutro, entendo que a melhor forma de resolver uma igualdade é na marca da cal. Da mesma forma que acontece na Copa do Mundo. Dar vantagem para a equipe de melhor campanha quando os times vêm de grupos diferentes e, consequentemente, caminhos e adversários distintos, é no mínimo leviano.

A medida é prejudicial até mesmo se pensarmos no lado dos investidores. A disputa por pênaltis é algo mágico e atrai a atenção de todos. Já era tradição, quem estava assistindo ao Campeonato Paulista ou ao Mineiro sempre ficava atento às decisões da Guanabara e da Taça Rio. No momento dos pênaltis, todas as TVs sintonizavam no torneio carioca para ver botafoguenses e flamenguistas com os corações na boca após mais um empate por 2 a 2 naqueles minutos preciosos, emocionantes e agora saudosos.