Micro e pequenas da região têm faturamento maior
As micro e pequenas empresas (MPEs) da Zona da Mata foram as que mais faturaram no primeiro trimestre de 2012, com média de R$ 151,4 mil por estabelecimento, e apresentaram maior nível de empregabilidade, média de 13 funcionários com vínculo empregatício para cada empresa, número 2,6 vezes maior que a média do estado. Os dados foram coletados por estudo do Sebrae-MG que avaliou o desempenho das MPEs mineiras de janeiro a março.
De acordo com o gerente regional do Sebrae-MG, João Roberto Marques Lobo, Juiz de Fora possui posição de destaque na análise da Zona da Mata. A cidade é polo, e a renda é concentrada aqui. Essa leitura da região, mais do que um reflexo, é a realidade do município. Segundo ele, assim como no estado, os setores da construção civil e da indústria juiz-forana passam por um período de aquecimento e são os principais responsáveis pelos bons números apresentados pela região. O primeiro trimestre não é um período favorável para o comércio, por exemplo, pois a renda familiar é destinada para outras despesas como pagamento de tributos e compra de material escolar. Já é esperado um desempenho mais fraco do setor, avalia.
No estado, os setores industrial e da construção civil foram os que mais faturaram, alcançando valores de R$142,5 mil e R$ 116,9 mil, e que mais geraram empregos, concentrando cerca de 11 e 10 colaboradores por empresa, respectivamente. Apesar de possuírem a maior média de contratação, o estudo do Sebrae-MG mostrou que os setores são os que menos investem em qualificação de pessoal. Enquanto uma MPE do setor de construção civil gasta, em média, R$ 222 em treinamentos, a do setor da indústria despende apenas R$ 23.
A relação entre contratação e qualificação de mão-de-obra é semelhante na Zona da Mata. De acordo com a pesquisa, a região, que possui maior média de colaboradores por MPE, tem uma despesa média de R$ 87 com treinamentos, o menor valor em relação às outras áreas do estado pesquisadas (Centro; Jequitinhonha e Mucuri; Noroeste; Norte; Rio Doce; Sul e Triângulo). Segundo Lobo, as empresas preferiram aumentar a renda dos trabalhadores em vez de investir em qualificação. A prova disso é que o valor da despesa com pessoal da região, de R$ 32,4 mil, é o maior entre todas as outras.
Na análise do presidente do Centro Industrial, Aurélio Marangon Sobrinho, as atividades do setor industrial são mais específicas e, por isso, os funcionários são treinados para determinada função. Desta forma, o investimento em treinamento é mais barato. Já para o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, a qualificação do setor acontece dentro da própria obra. Pedreiro, ajudante de obra e carpinteiro são funções cujo aprendizado é através da prática.
A pesquisa mostrou, também, que 86,6% das MPEs mineiras não solicitaram crédito neste primeiro trimestre. Na Zona da Mata, o número de empresas que fez financiamento foi inferior a 4%. O indicativo é de que as empresas usaram recursos próprios, pois o faturamento foi elevado, analisa o gerente do Sebrae-MG.









