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Vendas quatro vezes maiores no 1º fim de semana


Por Gracielle Nocelli

29/05/2012 às 07h00

Os juiz-foranos realizaram uma verdadeira corrida às concessionárias no primeiro final de semana após o Governo anunciar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os automóveis. Os estabelecimentos registraram aumento de 100% no fluxo de pessoas e vendas até quatro vezes maiores em relação aos finais de semana comuns. Os negócios fechados representaram economia de até R$ 5 mil no bolso dos clientes que encontraram, também, maior facilidade para o financiamento. As parcelas de carros mais populares chegaram a R$ 560. No país, o crescimento nos negócios chegou a 150%, segundo informações da Fiat e da General Motors, líder e terceira no ranking de vendas em 2012.

Para o gerente da Fiat Delta, Fabiano Barbosa, este é o momento de o consumidor aproveitar. "Trabalho há 12 anos no ramo e nunca vi nada igual. As taxas estão muito baixas até mesmo para quem der uma entrada menor." Ele explica que, após as medidas, modelos populares, intermediários e mais sofisticados sofreram significativa redução de preços. O Fiat Mille caiu de R$ 23.650 para R$ 21.990, o Novo Palio, que custava R$ 31.290, agora é vendido por R$ 28.440, e o Grand Siena teve queda de R$ 43.100 para R$ 40. Segundo ele, entre sexta e domingo, o movimento na loja dobrou em relação aos outros finais de semana.

Na concessionária Novo Rumo, representante da Chevrolet, as vendas foram três vezes maiores, segundo o gerente Thadeu Notini. Além dos modelos mais populares, como Classic e Agile, os carros sofisticados (acima de R$ 50 mil) estiveram entre os mais procurados. "Em geral, a redução foi de R$ 3 mil no valor dos automóveis", avalia.

Segundo Notini, uma boa dica para os consumidores é reservar entrada de 20% do valor total do veículo para garantir boas condições. Na simulação de um financiamento de 60 meses, a parcela do Classic vai para R$ 580. Já a do Cobalt, que é um modelo intermediário, custaria R$ 900 e a do Cruze, modelo mais sofisticado, seria de R$ 1.200.

No país, cresceram até 150% as vendas de veículos no primeiro final de semana após o pacote de incentivos ao setor automotivo, de acordo com estimativas iniciais da Fiat e da General Motors, respectivamente, a líder e a terceira no ranking de vendas em 2012. Pelas medidas anunciadas há uma semana, o Governo zerou o IPI dos automóveis e as montadoras se comprometeram a reduzir a tabela de preços em 2,5%, o que provocou uma queda de 7% a 10% do valor final aos consumidores. Já os bancos, pelo acordo, reduziram o valor da entrada, taxa de juros e alongaram prazos de pagamento. Em troca, foram liberados os depósitos compulsórios, recursos que as instituições têm de manter depositados no Banco Central.

 

 

Consumidor deve avaliar condições com cuidado

A administradora Flávia Rocha, 30 anos, quer aproveitar as medidas de incentivo para trocar seu Ford Ka, ano 2000, por um modelo zero. "Pretendo pesquisar para saber os reais efeitos da redução do IPI na hora da compra e, assim, definir o modelo. Minhas principais motivações para a troca são a busca por mais conforto e segurança." Segundo ela, a preferência é por um veículo popular,equipado e que permita melhores formas de pagamento. "Se as condições à vista forem valiosas, com taxas realmente competitivas, será minha escolha. Caso seja necessário o financiamento, optarei por um prazo mais curto para não comprometer demais o orçamento."

O economista Carlos Henrique Paixão alerta que a preocupação de Flávia é válida. Ele ressalta que o consumidor deve avaliar com cuidado antes de assumir compromissos futuros. "O atrativo da redução proporciona a motivação para adquirir o bem. Mas é importante ressaltar que, se tratando de um financiamento, a pessoa estará assumindo uma dívida. É preciso planejar o orçamento, verificar se isso é possível e até mesmo tentar negociar melhores condições à vista. Um parcelamento de 60 meses significa compromisso por cinco anos. Vale lembrar que, antes destas medidas, havia uma inadimplência crescente neste setor. É preciso aproveitar, mas sempre com cautela."