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Mais de 60% dos lojistas não possuem seguro


Por Flávia Lopes

26/10/2011 às 07h00

 

O incêndio que destruiu os produtos e também as estruturas de oito lojas entre a rua Floriano Peixoto e a Avenida Getúlio Vargas acendeu o sinal de alerta entre os comerciantes que não possuem seguro de seus estabelecimentos. Segundo estimativas da delegacia regional do Sindicato dos Corretores de Seguro, Empresas Corretoras do Estado de Minas Gerais (Sindicor/MG), o percentual de lojistas segurados hoje, na cidade, gira entre 30% e 40%.

De acordo com o delegado regional do Sindicor/MG, Rogério Dilly, normalmente os pequenos estabelecimentos são os que menos se preocupam, mas há também lojas de médio e grande portes descobertas. "A cultura do seguro ainda não é tão difundida e muitos só vão tomar providências quando algo mais grave acontece." De acordo com Dilly, tragédias como a da última segunda-feira e outras, como o incêndio que destruiu a Scio Lustres, em outubro de 2010, acabam aumentando o movimento nas corretoras. "Mas isso acontece só nos 15 primeiros dias. Depois, muitos lojistas esquecem ou deixam para depois."

Entre os seguros mais procurados por estabelecimentos comerciais, segundo ele, está o seguro empresarial, com cobertura nos casos de incêndio, roubo, explosão, raios e também queda de aeronave. Mas há também os adicionais, que incluem responsabilidade civil, tumultos, greves, impactos de veículos, vidros, vendavais, entre outros. Em relação aos valores, Dilly diz que não é possível estimar uma média, já que os custos variam muito conforme cada caso. "Se a empresa trabalha com borracha, tem uma taxa. Se é supermercado, já é outra. Os valores dependem do risco. Cada um tem uma especificação." O maior erro, segundo ele, é declarar um valo menor para reduzir o gasto. "A pessoa corre o risco de cair em rateio parcial e não receber o valor real", alerta.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, a maioria das empresas que não busca o seguro é formada por estabelecimentos de pequeno porte. "O seguro tem um custo alto e impacta muito os gastos de manutenção. Para reduzir os custos, muitos acabam optando por não fazê-lo."

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de (CDL/JF), Vandir Domingos, devido aos altos custos para manter esses negócios na cidade, o seguro muitas vezes acaba ficando em segundo plano. "A gente parte do pressuposto que toda loja deve ter alvará, CNPJ, seguro. Mas não temos como estimar esse número."

De acordo com um dos sócios da Nacional Tintas, Anderson Soares, a empresa possui seguro das duas lojas na cidade desde a sua abertura, o que inclui estoques, máquinas e utensílios, caixas e responsabilidade civil. "Trabalhamos com produtos altamente inflamáveis, como algumas tintas e solventes e não podemos correr este tipo de risco. Não é barato, mas é necessário." O proprietário das Casas Franklin, Guilherme Franklin, também mantém o seguro de seu estabelecimento desde o início das atividades. "Passamos por vistorias anuais, e este ano fizemos intervenções nas instalações elétricas para não correr riscos."