Preço da gasolina cai em JF, mas há tendência de alta
Baixa foi verificada de um ano para o outro em Juiz de Fora, mas anúncio de aumento nas refinarias deve afetar consumidor final

Na contramão da sensação percebida pelos consumidores nos postos de combustíveis, o valor médio do litro da gasolina sofreu queda de 6,5% em Juiz de Fora, passando de R$ 4,812 em setembro do ano passado para R$ 4,498 para igual mês deste ano, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Um decréscimo também foi constatado na pesquisa mais recente divulgada pela ANP, sendo o atual preço médio de R$ 4,455 por litro do combustível o menor registrado nas últimas quatro semanas. A última coleta de preços feita pela agência na cidade aconteceu na terça-feira passada e mostrou que a gasolina é encontrada de R$ 4,250 e R$ 4,599 nos postos locais. Os valores cobrados ao consumidor foram alvo de investigação da 13ª Promotoria de Defesa do Consumidor, mas o processo foi arquivado.
Apesar dos registros de queda, o consumidor deve sentir movimento contrário no preço da gasolina devido ao aumento de 3,5% nas refinarias, anunciado na quinta-feira passada (19) pela Petrobras. A alta é atribuída a uma elevação dos valores do barril do petróleo, ocasionada por ataque a instalações petrolíferas da Arábia Saudita, ocorrido no dia 16 de setembro. Em nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) declarou que não há estimativa para que este aumento seja sentido nas bombas, já que não existe tabelamento de preços no setor. “O mercado de combustíveis é livre. Cada empresário define seu preço de venda, que varia de acordo com inúmeros fatores, tais como estratégias comerciais, localização e concorrência, entre outros.” O Minaspetro declarou também a sua insatisfação com relação à tributação dos combustíveis, que, segundo o sindicato, “sufoca o empresário, fecha dezenas de estabelecimentos em todo o Brasil e impede o crescimento sustentável do país”.
Busca por alternativas
Sem aumento anunciado pela Petrobras e com queda de 1,15% no valor médio em um ano, o etanol se tornou alternativa para o bolso de alguns consumidores. Conforme a última sondagem da ANP, o preço médio do litro é R$ 2,78 na cidade, sendo encontrado de R$ 2,679 a R$ 2,969, de acordo com o posto escolhido. Em setembro do ano passado, o combustível era comercializado, em média, a R$ 2,846. Este mês, a média está em R$ 2,813.
O motorista José Carlos, 79 anos, afirma não ter percebido queda no preço dos combustíveis na cidade e escolheu o álcool por ser uma opção mais em conta. “No meu caso, não dá tempo de comparar preços. Eu apenas confio que é justo.” O motorista de aplicativo Breno Furtado notou uma leve queda nos valores da gasolina, mas ainda assim não vê compensação. “Eu observei que abaixou um pouco (o preço), mas, mesmo assim, não compensa, porque o álcool é muito mais barato.”
Em casos como o do promotor de vendas Fred Carlos Moreira, em que a opção de combustível é somente a gasolina, a alternativa encontrada é abastecer em maior quantidade e com menos frequência. “Está tudo muito caro. Um posto ou outro destoa no preço, mas não tem tanta diferença. Normalmente, eu encho o tanque exatamente para dar uma segurança, pois, se houver algum aumento, eu já estou de tanque cheio. Costumo abastecer sempre em um mesmo posto, porque o preço é mais barato, mas fica aquela dúvida também com relação à qualidade da gasolina. É um risco que a gente corre para tentar economizar.”
Ministério Público não detectou irregularidades
O Ministério Público deflagrou, em fevereiro deste ano, uma investigação dos preços dos combustíveis nos postos da cidade. A 13ª Promotoria de Defesa do Consumidor solicitou um estudo à ANP, que monitorou, semanalmente, entre dezembro de 2017 e junho de 2019, os preços praticados em Juiz de Fora. De acordo com o MP, não foram detectados prática abusiva, formação de cartel ou combinação de preços. Ainda conforme o Ministério Público, um contador do órgão participou da análise e foi concluído que os reajustes praticados estavam dentro da média estadual e nacional, resultando no arquivamento do processo.









