Impacto do dólar chega a 62%
Roupas, alimentos, viagens e artigos de informática já estão mais caros em função da alta do dólar. A moeda norte americana, que iniciou o ano a R$ 1,86, teve a sua quinta alta consecutiva nesta segunda (26) e fechou a R$ 2,07. A cotação tem impacto direto no bolso do consumidor, que pode pagar até 62% a mais por determinados produtos. Para o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luís Carlos Ewald, a expectativa é de que o aumento seja ainda maior. O dólar estava em um patamar irreal, podemos aguardar que ele chegue na casa de R$ 2,20. O brasileiro deve se preparar.
O setor de informática é um dos que mais sofreram reajuste – o preço de alguns equipamentos subiu até 62%.Praticamente todos os produtos que comercializamos possuem peças importadas, explica o gerente da Ipasoft, Júnio César Neto. Ele conta que artigos como HD, processador e chip de memória foram os que mais encareceram. Um processador Dual Core hoje custa R$ 195, em janeiro estava a R$ 120, e no ano passado, vendíamos a R$ 100. Na Datafor Informática, o gerente Bruno Abreu afirma que a situação é a mesma. Afetou o setor em geral. Além dos equipamentos, os suprimentos também ficaram mais caros. Segundo ele, com a alta dos preços, a procura dos consumidores diminuiu. O poder aquisitivo da população não aumentou, e isto é sentido nas vendas. Ele destaca que, além do preço do dólar, a instabilidade também é um problema. Alguns produtos ficam mais difíceis de serem encontrados, pois os distribuidores aguardam o momento em que a moeda estará mais cara para venderem.
Viajar para o exterior ficou, em média, 15% mais caro. Segundo agências de viagens, os pacotes aumentam na mesma proporção que o dólar. Trabalhamos com serviços, então se o valor de um hotel é U$ 200, ele irá variar em reais conforme o câmbio. Assim, uma viagem de U$ 1.000 sairia hoje a R$ 2.070, no início do ano seria R$ 1.860, avalia a proprietária da Fama Viagens, Fabiana Mendes. A alta do dólar gerou queda na procura pelos consumidores, segundo a proprietária da Facilitá Turismo, Geovana Loque. Assim que o dólar aumentou, os clientes ficaram assustados, mas, aos poucos, o movimento está sendo retomado. Mesmo, assim, ela garante que a demanda ainda não foi normalizada em comparação com que o mês representa para o setor.
Em relação a 2011, o preço das roupas subiu em torno de 10%, conforme dados do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sincovest). Quanto maior for o uso de material importado, mais cara será a peça, explica o presidente da entidade Michel Abourachid. Com o trigo custando 30% mais que no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira do Trigo (Abitrigo), pães, massas e biscoitos também estão com preços mais salgados para o consumidor. Em Juiz de Fora, o Sindicato da Panificação (Sindipan) prevê reajuste de 7% no valor do pão francês, a partir da próxima semana.
Para Luiz Carlos Ewald, a dica continua sendo a pesquisa de preços. Na hora da compra é preciso verificar vários estabelecimentos, estar informado sobre promoções e ofertas para diminuir este impacto no bolso.









