Setor de publicidade cria polo na cidade
Em uma iniciativa pioneira, a regional do Sebrae-MG está implantando o conceito de economia criativa nas agências de Juiz de Fora, com a criação de um polo de publicidade e propaganda. O segmento reúne hoje cerca de 80 agências formalizadas, mantém entre 1.500 e 1.800 profissionais e movimenta em torno de R$ 25 milhões por mês ou R$ 300 milhões por ano na região, conforme dados do Clube de Criação de Juiz de Fora. A iniciativa, cuja duração inicial prevista é de três anos, já está em curso. O Sebrae também estuda a possibilidade de aplicar o conceito no setor de moda na cidade ainda este ano. Neste caso, no entanto, ainda é preciso dimensionar a aceitação dos empresários à proposta.
De acordo com o analista do Sebrae Macrorregião Leste, João Paulo Barra Palmieri, o projeto envolve 14 agências. A partir de diagnóstico do setor, explica, foi identificado que os empresários possuíam vasta informação sobre o mercado de comunicação, mas faltava a eles uma visão mais elaborada sobre gestão empresarial. Outras lacunas percebidas foram pouca representatividade e necessidade de maior articulação com mídias digitais, como internet, celular e redes sociais, além dos tradicionais TV, rádio e jornal. Segundo Palmieri, são oferecidas capacitação e consultoria para definição de estratégias empresariais e criação de plano de ação a médio e longo prazos. "Queremos aumentar a competitividade do setor."
O presidente do Clube de Criação de Juiz de Fora, Armando Ziller, elogia a iniciativa. "Está contribuindo muito. Já temos um órgão, o clube, que reúne as principais empresas, mas não tem esse viés empresarial. O Sebrae veio oferecer a gestão que os negócios precisavam." Ziller avalia que as demandas das empresas do ramo são semelhantes e que, com a implantação do polo, é possível criar uma unidade. O presidente destaca as ações no sentido de criar norma de conduta, código de ética, alinhamento de preços com o mercado e estabelecer governança, na forma de sindicato ou associação. Ele também destacou a união dos profissionais do segmento. "Já conseguimos ver resultados em gestão interna e desempenho." No final de junho, comenta, está prevista a chegada de uma missão de empresários de Montes Claros que deseja conhecer e também implementar a iniciativa.
Economia criativa
Conforme a especialista em Economia Criativa, Desenvolvimento Sustentável e Futuros, Lala Deheinzelin, economia criativa baseia-se em matéria-prima não tangível, como conhecimento, criatividade, cultura e experiência, enquanto a economia tradicional se constrói a partir do material. "Se há um grupo que sabe fazer um trabalho único, isso é a reserva de valor. O ponto de partida. Será economia criativa quando houver todo um processo conjunto com outras áreas, como comercialização, comunicação e design. Uma cadeia produtiva capaz de gerar riqueza e qualidade de vida." A regra vale do desenvolvimento de um negócio ou produto à gestão pública, explica, sempre tendo como meta a sustentabilidade.









