Salário médio abaixo de R$ 1 mil
Em Juiz de Fora, apenas 15 vagas de trabalho com carteira assinada e salário inicial superior a R$ 4.700 foram criadas no primeiro trimestre deste ano. O maior rendimento de admissão pago na cidade no período foi de R$ 25.580. Com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, a Tribuna verificou que, de janeiro a março, apenas uma vaga com este perfil, para a função de diretor de manutenção, foi aberta no município (ver quadro). No ranking dos maiores vencimentos na hora da contratação estão empatados, em segundo lugar, piloto de aeronaves (duas vagas) e diretor de riscos de mercado (uma vaga), com vencimentos de R$ 10.500 cada. Em terceiro lugar, figura o cargo de gerente de projetos de tecnologia da informação, com rendimento inicial de R$ 9.500. O salário médio de contratação na cidade foi de R$ 995,69, 21,2% a mais que o verificado em 2011 (R$ 821,46).
Em contrapartida, nas duas ocupações em que houve maior criação de empregos formais no período – servente de obras (199) e auxiliar de escritório (155) – os salários são inferiores à média municipal: R$ 678,30 e R$ 706,91, respectivamente. A situação não é diferente entre os principais setores produtivos. Em apenas três dos sete listados pelo Caged, os vencimentos iniciais superam a média local: extrativo mineral (R$ 1.346,08), serviço industrial de utilidade pública (R$ 1.342,75) e administração pública (R$ 1.211).
Apesar da alta no ganho médio de admissão, o economista Carlos Henrique Paixão considera baixo o salário pago na cidade. O motivo, segundo ele, é a ampla disponibilidade de mão de obra no mercado. "Os salários refletem a oferta de profissionais no setor." As maiores remunerações, explica, são diminutas, e a grande massa de trabalhadores recebe valores nominais pouco expressivos. "Nos postos com salário mais elevado, são poucas as pessoas alocadas, o que significa baixa demanda por trabalhadores com maior exigência de qualificação."
O também economista Antônio Flávio Luca do Nascimento explica que, no caso dos profissionais técnicos qualificados ou com nível superior, via de regra, o mercado determina o preço. Já entre as ocupações de produção de nível médio, os salários são regulados por pisos estabelecidos pelos sindicatos de classe. No primeiro caso, o conceito de empregabilidade, em que o profissional agrega habilidades e competências, e o apagão de mão de obra contribuem para que os vencimentos subam ainda mais. Já no segundo, é esperado pequeno incremento nos próximos meses em função das negociações em curso. "Não podemos comparar salários à preços de mercado com vencimentos de piso com base sindical."
Antônio Flávio avalia que, nas empresas em que os vencimentos iniciais são achatados, costuma-se oferecer benefícios indiretos que fazem diferença para o funcionário. No caso das ocupações com os maiores salários iniciais, o economista destaca a atuação de "headhunters", profissionais especializados na procura por talentos no mercado, e a pouca visibilidade destas raras oportunidades. "Uma função de alto valor raramente é publicada nos classificados dos jornais", sentencia.
Média salarial na cidade é menor que a de MG
Para o economista Carlos Henrique Paixão, os maiores empregadores da cidade, a Prefeitura de Juiz de Fora e empresas supermercadistas, puxam as cifras para baixo. "Ambos possuem pequena média salarial, e não diferem dos demais setores." O superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues, destaca a importância do setor na abertura de oportunidades de primeiro emprego em Juiz de Fora. Destaca, ainda, a necessidade de redução de custos para manter preços baixos, especialmente nos estabelecimentos voltados às classes C e D. "Os supermercados com atuação em serviços, com certeza, têm profissionais mais caros, porque o consumidor está disposto a pagar pelo serviço." Conforme o superintendente, privilegia-se o preço pela origem do setor e por uma questão de sobrevivência.
O secretário de Administração e Recursos Humanos (SARH), Vitor Valverde, confirma que a Prefeitura é a maior empregadora da cidade atualmente, com 12 mil funcionários na administração direta e 17 mil incluindo a indireta. A carreira, avalia, é inclinada. "O servidor entra ganhando pouco, mas recebe ganho real de 10% a cada três anos, fora o reajuste salarial anual." Na avaliação do secretário, a progressão é expressiva, mas começa com vencimentos baixos. Por conta disso, diz, há tratamento diferenciado para os que estão no início de carreira. Nos últimos quatro anos, afirma, o salário mínimo da Prefeitura subiu 86,18%. Além disso, a remuneração média é considerada uma das mais altas da cidade. Ele cita os vencimentos de um técnico de nível superior, com jornada de 40 horas semanais, que recebe R$ 5.024,56, e os de um médico que trabalha 20 horas por semana e ganha R$ 4.165,02 por mês.
Tendência
Apesar de o salário médio de admissão em Juiz de Fora ser 10,5% menor do que a média nacional (R$ 1.112,96) e 2% menor do que a média estadual (R$ 1.016,30) entre janeiro e março deste ano, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, André Zuchi, destaca que o vencimento inicial na cidade cresceu, pelo menos, três vezes mais que as médias nacional e mineira, considerando o primeiro trimestre deste ano e o verificado em 2011. Conforme o Caged, houve aumento de 6,2% nos salários de admissão no país, de 5,5% em Minas e de 21,2% em Juiz de Fora.
Para o secretário, os números apontam para a tendência de aumento do salário local. "A manutenção dessa tendência permitirá Juiz de Fora recuperar as perdas salariais provocadas pela estagnação econômica observada nos últimos anos, viabilizando, assim, que o salário médio local recupere valor." Zuchi destaca, ainda, que a diferença entre o salário médio de admissão de JF que, em 2011, era de 21,6% ante a média nacional e de 14,7% na análise mineira, caiu para, respectivamente, 10,5% e 2% neste primeiro trimestre.









