Ouça agora

Preço de hortifrúti cai até 90%


Por Gracielle Nocelli

20/04/2012 às 06h00

2177765311

Motivada pelo aquecimento da oferta, boa parte dos hortifrutigranjeiros apresentou queda dos preços. Segundo avaliação da Associação dos Lojistas da Ceasa de Juiz de Fora, no atacado, o tomate teve queda de até 90% em comparação com o mês de janeiro, seguido de berinjela (83%), repolho (72%), couve-flor (55%) e pepino (50%). "O clima favorável foi o principal fator que propiciou o aumento do volume destas culturas. Com maior oferta, os preços tendem a cair", explica o presidente da entidade, Luis Carlos Santa Rosa.

Os valores mais baixos no atacado têm sido repassados aos consumidores, como informa o presidente dos concessionários do Mercado Municipal, Carlyle Lopes Barros. "No último mês, os produtos mais procurados tiveram corte de preços. O quilo do tomate caiu de R$ 3,99 para R$ 2,59, do pimentão, de R$ 4,99 para R$ 1,59, da berinjela, de R$ 3,59 para R$ 1,99, e do pepino, de R$ 2,59 para R$ 1,99." Segundo ele, o quilo da batata teve o preço mantido em R$ 1,59 também por conta do aumento da oferta.

A cesta básica apurada esta semana em Juiz de Fora já apresenta impacto da queda dos preços. O valor médio baixou de de R$ 213,86 para R$ 202,72 (-5,21%) em relação ao preço registrado na quinta-feira da semana passada. De acordo com a pesquisa divulgada ontem pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), os produtos que mais contribuíram foram o tomate (-29,53%), a batata inglesa (-28,34%) e a banana prata (-13,47%).

A redução dos valores é sinônimo de economia para a população. "Quem iria levar apenas tomate, acaba comprando também uma fruta, pois o preço está compensando. Há aqueles que guardam o dinheiro para ajudar em outros tipos de despesa", destaca a presidente da Associação das Donas de Casas e Consumidores, Léa Ganimi Costa. Ela dá dicas de como aproveitar bem o período de produtos mais baratos. "Mesmo com valores mais baixos, sempre orientamos os consumidores a pesquisarem em mais de um estabelecimento. Também vale a pena juntar famílias de amigos e comprar em atacado."

Queixas

Para os produtores, a queda dos preços é preocupante. "No momento, o custo da produção está cerca de 30% maior que o lucro. Alguns produtores acreditam que é mais vantajoso parar de produzir. Se isso ocorrer, num prazo entre 90 e 120 dias pode ser que faltem produtos no mercado", afirma o presidente da Associação de Hortifrutigranjeiros da Ceasa/JF, Élcio Miguel Ferreira. Há 30 anos no ramo, ele diz que nunca presenciou uma situação como esta. "A oscilação é sempre esperada, mas já faz tempo que estamos nas mesmas condições, e o custo-benefício não tem valido a pena." Para ele, o tomate representa o principal problema, pois as demais culturas que sofreram redução dos preços têm investimentos mais baixos.

O chefe do departamento técnico do Ceasa/MG, Wilson Guide, destaca que o desabastecimento não será um problema enfrentado pelos consumidores. "Esta situação já era esperada, pois estamos falando de culturas sazonais. Com a oferta aquecida, o preço cai, assim como o contrário também acontece. Minas Gerais é um dos maiores produtores nacionais, não há a possibilidade do produtos desaparecerem do mercado."