Alimentos continuam a subir


A inflação dos alimentos não deu trégua para os juiz-foranos neste início de agosto. Dos 22 itens que integram a cesta básica regional, nove aumentaram de preço esta semana, conforme dados da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA). O tomate foi o alimento que registrou maior alta (31,89%), seguido do fubá (14,77%) e do pernil suíno desossado (13,77%). O ovo e o leite, produtos que já vinham pressionando o bolso do consumidor, também encareceram – 9,34% e 3,05%, respectivamente (ver quadro).
O comportamento de preço dos alimentos neste segundo semestre também tem sido responsável pelo sucessivos aumentos da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Pesquisa divulgada pelo IBGE esta semana mostrou que a disparada de preços em julho fez com que o grupo “alimentação e bebidas” acelerasse de 0,71% para 1,32%. Esta alta foi a mais acentuada para julho desde o ano 2000, quando os preços ficaram 1,78% mais caros. No acumulado entre janeiro e julho, a alta do grupo chegou a 8,79%.
O comportamento de preço dos alimentos continua sendo influenciado pelo aumento dos custos para a produção, que segue enfrentando a disparada nos valores de insumos, como o milho e a soja. “O fubá, o leite e o ovo sofrem interferência direta do encarecimento do milho”, destaca o coordenador da pesquisa Júlio Alvarenga. Já a alta do tomate é explicada pela escassez do produto no mercado. “Estamos num período de entressafra e, por isso, era esperado o aumento”, conclui. Segundo ele, a surpresa da pesquisa ficou por conta do preço do pernil suíno desossado. “Foi um susto, mas acredito que seja uma situação pontual.”
Na avaliação de Júlio, enquanto o pernil suíno deve apresentar uma queda de preço nos próximos dias, o tomate ainda deve sofrer novas escaladas, pois o período de entressafra segue até meados de setembro. Leite, ovo e fubá continuarão sendo impactados pelo preço do milho, mas tendem a se estabilizar. “O consumidor não está dando mais conta de pagar pelo leite e pelo ovo, que passaram por tantos reajustes consecutivos. Com a queda nas vendas, os preços vão se acomodar, como está acontecendo com o feijão.”
“Problemas climáticos afetaram as lavouras. Há menor oferta de forma geral provocada pelo clima”, justificou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, em matéria da Agência Estado. Os prejuízos à safra afetaram não só os alimentos in natura, mas também pastagem e ração para o gado, pressionando o preço do leite. “O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (divulgado pelo IBGE) apontou redução da safra de quase 10%. Isso é muito significativo”, acrescentou Eulina.
Reajustes consecutivos e queda
Entre junho e julho, o feijão sofreu seis reajustes consecutivos, acumulando uma alta de 43%. Na análise desta semana, a leguminosa registrou queda de 2,43%. “A alta do feijão foi decorrente da queda no estoque, ocasionada após duas safras fracas e algumas medidas do Governo. Com os constantes aumentos, o consumidor passou a substituir o produto. E, agora, com as vendas reduzidas, o mercado se vê obrigado a diminuir os preços.” Também pesou a retração a liberação para importação do produto pelo Governo federal.
Outros itens da cesta que também baratearam foram cebola (7,88%), folhosos (4,97%) e óleo de soja (4,1%). Diante da variação, o valor da cesta básica regional, que estava estimado em R$ 357,63 no último dia 5, se manteve praticamente estável, caindo apenas R$ 0,14, passando para R$ 357,49 esta semana.









