Aluguéis disparam com escassez de imóveis

Na Globo Imóveis só há dois imóveis tipo quarto e sala disponíveis
O anúncio do resultado final dos programas de ingresso da UFJF, na semana passada, e o início do ano letivo em diversas escolas da cidade aumentaram a corrida de pais e alunos às imobiliárias para garantir o aluguel de apartamentos. Quem está à procura de imóveis quarto e sala ou dois quartos, no entanto, está enfrentando dificuldades de encontrar um lugar para morar. Segundo as seis imobiliárias ouvidas pela Tribuna, o volume de imóveis nesse perfil é escasso. "Os que restaram são muito caros ou não estão em boas condições", confessa o presidente da Associação Juizforana de Administradoras de Imóveis (Ajadi), Antônio Dias.
Nas últimas semanas, segundo proprietários de imobiliárias, a procura cresceu cerca de 40%, e os preços também estão maiores que os praticados no último ano. Em alguns casos, o valor do aluguel para novos contratos chegou a até dobrar de um ano para outro para imóveis no mesmo perfil. Já a inflação medida pelo IGP-M (índice utilizado na maioria dos contratos de aluguel) subiu 4,53% nos últimos 12 meses. A sócia-gerente da Redentor Imóveis, Simone de Barros Cardoso, diz que os preços de imóveis tiveram grande reajuste. Ela aponta que hoje há apartamentos quarto e sala na área central sendo alugados por R$ 900. "No ano passado, a média para esse perfil era de R$ 450."
Segundo o presidente da Ajadi, entre os apartamentos disponíveis estão os de primeira locação cujos preços variam de R$ 1 mil a R$ 1.200, chegando a R$ 1.500 com as taxas de condomínio e IPTU. "Quem não encontra está tendo que pagar mais caro, ou então está ficando nos imóveis com pior estado e localização." O proprietário da Globo Imóveis, Wilson de Carvalho, diz que só tem dois imóveis disponíveis na modalidade quarto e sala, sendo um deles a R$ 980 (sem as taxas). "Trabalhávamos com uma carteira entre 70 e 80 imóveis disponíveis, e hoje temos apenas 12. Como os preços de alguns estão fora da realidade, muitas pessoas, mesmo de fora da cidade, estão preferindo comprar um imóvel, pois veem que ainda podem ganhar dinheiro com a valorização."
O administrador da Souza Gomes, Diogo Souza Gomes, avalia que os lançamentos que ficaram prontos no último ano aliviaram a escassez de imóveis na cidade. Porém, segundo ele, a procura cresceu em torno de 30%.
O diretor de locação da Acervo Imóveis, Peterson Silveira Soares, também avalia que hoje está mais complexo encontrar apartamentos no perfil desejado pelo locatário. "Fica mais difícil achar o imóvel ideal. Muitos já não estão encontrando na localização desejada. Quem se antecipou conseguiu garantir os melhores apartamentos."
A professora Mariana Mota está a procura de um imóvel de dois quartos com garagem, mas não está encontrando um apartamento com valor próximo ao que paga hoje. "O menor preço que estou vendo é de R$ 700. Com as taxas, fica muito caro." O mecânico Plauto da Cruz Pinto está em busca de um dois quartos de até R$ 700, mas diz que está difícil encontrar algo neste preço dentro das características que procura. "Preciso mudar rápido e não estou achando nada."
Alta procura
Na imobiliária Ribeiro e Arrabal, a procura por apartamentos para locação cresceu 40%, e os preços subiram na mesma proporção. "Um quarto e sala na área central que custava R$ 350 hoje sai a R$ 500", avalia o sócio, Júlio Ribeiro. O proprietário da Invest Imóveis, Washington Frade, também observa um crescimento na demanda em relação ao mesmo período do ano passado. "Cresceu em torno de 30% a procura. Além dos estudantes, há muitas pessoas vindo para Juiz de Fora para trabalhar." Frade destaca ainda que, nesta época do ano, os estudantes são responsáveis por 60% das locações realizadas.
Já o proprietário de um prédio de quitinetes no Bairro São Pedro, Alceu Kirchmaier, está comemorando o aluguel de todas as sete unidades disponibilizadas para estudantes. "A procura está muito grande e este ano foi ainda melhor."
Garantias estão mais flexíveis
O estudante universitário Marcelo Azevedo está em busca de um quarto e sala para morar sozinho, depois que conseguiu ampliar o valor da bolsa de estágio e decidiu deixar a república onde mora. O principal problema, segundo ele, é a exigência de algumas imobiliárias por fiadores. Natural de Manhuaçu, ele conta que já deixou de conseguir boas oportunidades por não ter fiadores na cidade. "Eles pedem duas pessoas de Juiz de Fora. Acho a situação muito constrangedora, e sempre pergunto se eles aceitam o caução ou o seguro fiança. Caso contrário, nem pego a proposta", conta.
Apesar da alta procura, algumas imobiliárias estão abrindo mão desta exigência devido ao perfil dos novos locatários que chegam à cidade (estudantes e trabalhadores de cidades vizinhas). Segundo o presidente da Ajadi, em sua imobiliária (Sênior Imóveis) a garantia de pagamento de caução já corresponde a 70% dos contratos fechados na empresa. "Alguns ainda pedem o fiador, mas é preciso abrir mão de certas coisas, devido ao perfil da cidade. O procedimento do fiador é muito moroso e pode atrasar o fechamento de contratos."
O caução consiste em um depósito oferecido pelo locatário como garantia das dívidas que possam vir a existir em relação à locação. Nesta modalidade, segundo o Sindicato da Habitação de Minas Gerais (Secovi-MG), o valor não poderá ultrapassar ao equivalente a três meses de aluguel e, ainda assim, deverá ser depositado em caderneta de poupança especial, vinculada, que, ao final da locação pertencerá ao locatário se não houver divergência quanto a débitos.
Outra garantia que vem sendo utilizada é o seguro-fiança, contratado junto a uma seguradora. O seguro tem validade anual e é pago à vista, independentemente do prazo de locação. Terminando a vigência anual, o seguro deve ser renovado. O custo anual corresponde a cerca de 120% do valor de um aluguel. Segundo o administrador Diogo Souza Gomes, da Souza Gomes, para facilitar o fechamento dos contratos, a empresa também aceita fiadores de outros municípios, além do seguro. "Fazemos com a Porto Seguro ou a Sul América. É uma facilidade a mais para quem vem de fora."









