Cresce emprego para novato

Fernando de Paula Oliveira conta que conseguiu seu primeiro emprego em menos de uma semana
O mercado de trabalho juiz-forano está mais receptivo a candidatos a uma vaga de emprego sem experiência. Segundo levantamento realizado a partir da pesquisa Perfil do Município, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de trabalhadores formais admitidos na cidade nessa situação cresceu 18,7% em 2011 na comparação com o ano anterior. Foram 6.559 empregados, contra 5.524 em 2010. No mesmo período, o total de admissões no município cresceu 10,3%.
O principal setor responsável pela contratação de pessoas na situação de primeiro emprego foi o de serviços. Ao todo, foram 3.166 trabalhadores, o que representa um aumento de 36,7% na comparação com 2010. Já o total de admissões do setor cresceu 19,43%. No entanto, segundo o levantamento, a maior diferença entre as admissões gerais e a do primeiro emprego ficou com a construção civil, que ampliou em 32,38% o número de trabalhadores sem experiência. No comércio, o aumento foi de 8,2% no primeiro emprego. Na indústria, houve queda de 7,58%.
Segundo o professor da Faculdade de Economia da UFJF e especialista em economia do trabalho, Ricardo Freguglia, uma das possíveis explicações para esse crescimento é a escassez de mão de obra qualificada. "As empresas estão buscando novos trabalhadores, pois não há gente com experiência no mercado. Elas estão dispostas a arriscar e contratar pessoas mais novas."
Na avaliação da assistente de recursos humanos do Grupo Let, Christina Daret, houve uma mudança na forma de pensar e encarar os profissionais sem experiência por parte do empregador, que hoje valoriza mais uma boa formação acadêmica em detrimento da experiência. "Começou a ser percebida a possibilidade de treinar ou capacitar esse profissional para execução de suas atividades, tendo como vantagem o fato de que ele chega ao mercado sem vícios. Quando o candidato sem experiência encontra uma oportunidade, ele tende a apresentar uma maior dedicação e vontade de aprender, já que pretende se firmar no mercado de trabalho e faz com que se destaque dentro da empresa."
Demanda
Em alguns setores que sofrem com a escassez de trabalhadores com experiência na área, o índice de "novatos" que entram na profissão pode chegar a até 75% dos novos contratos, como é o caso relatado do Sindicato dos Panificadores de Juiz de Fora. "As padarias muitas vezes são a porta de entrada de muitos profissionais no mercado, que as usam como trampolim para outras funções", avalia o presidente do órgão, Heveraldo Lima de Castro. Segundo ele, por conta disso, a saída de pessoas do setor é frequente. "Está muito difícil achar profissionais qualificados. Mas mesmo sem experiência, a contratação é difícil, pois o despreparo é muito grande. É preciso oferecer nas escolas noções gerais de atendimento ao público, por exemplo."
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Márcio Almeida, o número de pessoas em primeiro emprego é alto devido à demanda. "Não faltam oportunidades para quem quer começar, como servente ou ajudante." No comércio, o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, também destaca a falta de pessoal qualificado no mercado. "Mas muitos empregadores às vezes até preferem pessoas sem experiência anterior, por não trazer vícios adquiridos em trabalhos anteriores."
O auxiliar de balcão Fernando de Paula Oliveira conta que, logo após passar no vestibular, distribuiu currículos em quatro lojas da cidade. Em menos de uma semana já havia conquistado uma vaga no comércio. "Achei que eu fosse esperar mais tempo, por não ter trabalhado antes. Mas foi tudo muito rápido."









