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Premiados em Piacatuba falam da paixão pela viola

Juiz-foranos Anderson Guimarães e Victor Hugo Silveira, que venceram Concurso de Viola em Piacatuba, contam sobre a parceria que começou com o rock


Por Fabiane Almeida, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

31/07/2019 às 19h24

Com a proposta de revelar novos talentos, o 16º Festival de Viola de Piacatuba e Gastronomia foi palco de dois roqueiros, que se uniram na viola para arriscar uma segunda paixão em meio a outros trabalhos. Anderson Guimarães, que trouxe para casa o troféu regional com a canção “Chão de barcarola”, foi novamente a dupla de Victor Hugo Silveira, considerado pelo segundo ano consecutivo o melhor violeiro. No ano anterior Anderson Guimarães havia tirado o terceiro lugar no concurso com a composição “Capoeira grande”. Enquanto, a cerca de 100km da terra natal, no distrito Piacatuba, em Leopoldina, os dois atuam como violeiros de destaque, em Juiz de Fora essa caminhada ainda está no início, e o principal gênero a que se dedicam é muito diferente da moda de viola: rock’n’roll.

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Anderson e Victor planejam futuras apresentações com viola e outros instrumentos (Foto: Iano Oliveira/Divulgação)

“A viola é um instrumento que me encanta desde a infância. Me lembro do meu avô com seu rádio valvulado escutando as modas de viola, e isso me influenciou a ouvir muita coisa relacionada ao gênero e mais tarde a buscar novas referências, desde os violeiros clássicos até os atuais”, conta Anderson Guimarães, 42 anos. Da infância, seu interesse pela música seguiu até a adolescência, quando teve o primeiro contato com bandas formadas por amigos. Sua história profissional como músico começou aos 20 anos, e hoje ele atua em bandas locais e projetos culturais em Juiz de Fora.

Foi em uma dessas bandas, a Verônica Rasga o Ventre, que sua bateria se cruzou com a guitarra do jovem Victor Hugo Silveira, 22 anos. O guitarrista tinha como influência o pai violeiro, mas foi em meio ao rock que o jovem foi incentivado por Anderson a embarcar na moda de viola. “Começamos a criar um vínculo musical além da banda, tocando outras músicas, e pensamos em fazer um projeto paralelo. Eu nunca tinha pegado uma viola, mas tinha feito uma composição na guitarra que ele pediu para transpor para a viola e deu certo.

Em uma viagem, criamos uma música que levamos para o festival no ano passado, em nossa primeira participação. A música se chama ‘Capoeira grande’, que começou na roça como uma brincadeira, em que várias pessoas contribuíram. Mas a música acabou saindo, o Anderson finalizou a letra, e fiz o arranjo”, relembra Victor Hugo. O nome da canção era uma homenagem ao local onde Victor Hugo passava momentos da infância, ao som da viola do pai.

Ainda sem muita ligação com o instrumento, o jovem roqueiro participou do primeiro festival com uma viola emprestada e, com o prêmio que recebeu pelo desempenho, sentiu-se incentivado a estudar e a se dedicar ao instrumento da família, comprando seu próprio. Hoje, carrega o rock camuflado em sua maneira de tocar, mesclando influências do gênero à música caipira e sertaneja, com “uma intensidade maior ou o som mais rasgado. Esse ano, usei um pouco de técnica da guitarra na viola, fazendo o rock’n’roll estar presente ali”, conta o violeiro.

A dupla levou para o palco a composição de Anderson Guimarães em parceria com Fred Fonseca, também músico juiz-forano. “Chão de barcarola” é uma das faixas do disco “Criado mudo”, gravado por Anderson pela Lei Murilo Mendes. “A canção fala sobre o rio, sobre o povo ribeirinho e principalmente da água doce, uma das maiores riquezas do nosso país, e barcarola é uma pequena embarcação. A música propõe uma viagem desde a nascente, passando por corredeiras, quedas d’água, até o encontro das águas, a pororoca”, comenta Anderson.

Atualmente Anderson é articulador cultural da área de música no Gente em Primeiro Lugar, programa da Prefeitura de Juiz de Fora em parceria com a Funalfa, gerido pela Acav. Ele também atua com percussão para crianças e adolescentes, explorando os ritmos brasileiros, além de se apresentar com bandas locais, como Los Kactus, 3, 2 Único, Verônica Rasga o Ventre. Já Victor Hugo toca na banda NDU desde 2013, além de participar da Verônica Rasga o Ventre, desde 2015. Para o futuro, a dupla pensa em participar novamente do Festival de Piacatuba, no próximo ano, e planeja se apresentar em Juiz de Fora no projeto Tubo de Ensaio, mostrando autorais e releituras de clássicos da música regional e rock rural ao som de viola e outros instrumentos.