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Diário de bordo


Por NINA MELLO fotógrafa

31/07/2013 às 07h00

Tudo muda em Inhotim

Juiz de Fora, sexta-feira, saída às14h35. Destino: Inhotim. Da cidade até Brumadinho, que fica a 15 km de Inhotim, não foi um percurso tão simples assim. Entre encruzilhadas, bifurcações, saídas e entradas, buracos, pessoas pouco informadas, estava perdida. Ao anoitecer, cheguei a Brumadinho, cidade de poucos atrativos, tumultuada, mas de habitantes receptivos. Tanto o pessoal da pousada quanto o pessoal do restaurante, todos foram muitos gentis. Comemos e bebemos e morremos de rir. A chegada a Inhotim aconteceu no dia seguinte, às 10h, numa manhã nem quente nem fria: agradável. Ali, tudo muda: O ar, as dimensões, o cheiro, as conversas, os olhares, o tempo.

A começar pelo paisagismo, as plantas são exóticas, exuberantes, estrategicamente localizadas. Percorrer este museu de arte contemporânea a céu aberto é uma sensação curiosa, fazendo com que a gente transite pela imensidão e pequenez do ser humano. Encontrar as esculturas de Edgard de Souza é um convite ao enrolar e desenrolar da cambalhota. A obra sonora de Janet Cardiff e George Bures Miller, instalação permanente que se encontra na Galeria Praça, impregna a pele, os ouvidos, o coração, o imaginário. O pavilhão da Lygia Pape, que se pretende camuflar na vegetação, é surpreendente. Você adentra o pavilhão e se depara com uma enorme teia de aranha.

Miguel Rio Branco, Tunga, Cildo Meirelles , Galeria Mata. Enfim… O tempo é curto. Uma dica é fazer um piquenique em Inhotim. Apesar de bons restaurantes, nada se compara à possibilidade de esticar uma toalha no gramado do jardim que tem como referência Burle Marx. Inhotim não se conhece em dois, três dias. Não adianta correr. Inhotim é uma experiência do ver e do olhar. É um convite ao ócio.