Isso (também) é rock and roll

O grande problema de fazer música além do seu tempo é que o tempo passa e te alcança, devora, e o que era novidade ontem passa a ser o pão dormido de hoje. Expoente da música eletrônica na década de 1990 ao lado de gente boa como Chemical Brothers, Atari Teenage Riot, Aphex Twin e Massive Attack, entre outros, o Prodigy quase foi engolido pelo som que criou, mas, desde “Invaders must die”, de 2009, o grupo formado atualmente por Liam Howlett, Keith Flint e Maxim vem mostrando que a violenta, irônica e sarcástica mistura do peso punk das guitarras com as batidas furiosas da música eletrônica – seja drum’n’bass, dubstep, techno – continua pulsando pelas veias do trio, sem se esquecer de ritmos como o hip-hop. “The day is my enemy”, sexto trabalho do grupo, mantém o poder sonoro de um dos precursores da música do século XXI.
Produzido por Liam Howlett e vários parceiros, “The day is my enemy” já começa furioso na faixa-título. Com vocais de Martina Topley-Bird – que já trabalhou com Tricy e Massive Attack, entre outros -, a música mescla guitarras e batidas igualmente pesadas, lembrando os contemporâneos do White Zombie. A pancadaria sonora continua comendo solta em “Nasty” e “Destroy”, filhas perdidas do clássico “The fat of the land”, e mantém a pegada em “Rebel Radio” e “Ibiza”, com participação da dupla Sleaford Mods. O Prodigy quase não dá tempo para o ouvinte respirar, despejando petardos como “Wall of death”, “Get your fight” e “Rok-Weiler”. Para fechar, “Rise of the eagles”, cover do grupo de psychobilly inglês The Eighties Matchbox B-Line Disaster.
Mesmo que repita, muitas vezes, a fórmula consagrada de “The fat of the land”, “The day is my enemy” confirma que, após 25 anos de estrada, o Prodigy ainda é capaz de fazer tremer pistas de dança e palcos pelo mundo todo. A fúria, para nossa sorte, continua intacta.








