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Talento nosso


Por MARISA LOURES

30/07/2013 às 07h00

Não é de hoje que o trabalho desenvolvido pela Cia. Teatrando, de Juiz de Fora, tem rendido bons frutos. Há um ano, o espetáculo Obsessão, amor e dor, com texto e direção de Adryana Ryal, vem abocanhando prêmios pelos quatro cantos do país. Já passou pelo Festival Nacional de Teatro de Varginha, onde levou a melhor em cenário e figurino, e, mais recentemente, figurava entre os 374 espetáculos, dos 600 inscritos de mais de 20 estados brasileiros e países como Moçambique, na concorrida mostra Fringe de Teatro de Curitiba. A última investida da trupe, neste fim de semana, foi participar do Festival de Artes Cênicas de Conselheiro Lafaiete, onde levou os prêmios de melhor atriz, atriz coadjuvante e figurino na categoria drama. Com As sementes de aço, escrito pelos estudantes da UFJF Tiago Fontoura e Rafael Coutinho, o Teatrando voltou para casa com o título de melhor espetáculo de drama e maquiagem. Com ‘Obsessão’, estamos sendo contemplados desde julho do ano passado. É muito gratificante ser escolhido num evento que está entre os dez melhores do teatro amador do Brasil. Tínhamos concorrentes de peso de várias partes do país. É uma forma de vermos que estamos no caminho certo, comenta Adryana.

Também integrando talentos das bandas de cá, a companhia de São José das Três ILhas, Grupo de Teatro de Repertório do Caminho Novo, que tem no comando a atriz juiz-forana Danyela Silvério, e o ator juiz-forano Anderson Mozão no elenco, retornou de Conselheiro Lafaiete com cinco prêmios na categoria comédia: melhor espetáculo, atriz, direção, fugurino e cenário para a peça No curral com mais amor. Por ser um lugar tão pequeno, a gente não tem ideia do potencial que ali existe, afirma a diretora, destacando o caráter social do trabalho desenvolvido na pequena localidade. Sempre gostei de ver possibilidades no outro. A galerinha é bastante interessada, diz Danyela. Além de teatro, a iniciativa, que faz parte do projeto realizado pela ONG Ação Animatógrapho, encabeçada pelo também juiz-forano Flávio Candido, investe ainda em artesanato, cinema, música e fotografia, dentro de um projeto intitulado São José das Culturas.

Retrato

de um

pequeno vilarejo

Uma suntuosa igreja erguida no século XIX. Cerca de 30 edificações. Pouco mais de 200 habitantes. Não é só nas telonas que o cenário de São José das Três Ilhas, charmoso distrito de Belmiro Braga, localizado a 40km de Juiz de Fora, tem tido repercussão. O lugarejo que já serviu de locação para filmes, como O menino maluquinho, há quase dez anos tem sido a principal fonte de inspiração de seus poucos moradores. O pacato e simples jeito de viver foi o fio condutor do espetáculo No curral com mais amor.

No cenário, era para ter um curral de verdade, com direito a animais etc, porém uma chuva acabou impedindo que a ideia original fosse posta em prática, conforme conta Danyela. No lugar, a criatividade teve que tomar as rédeas do jogo, obrigando um investimento maior na cenografia. Uma fachada de uma casa de roça, bambus gigantes e vassoura de mato são alguns dos elementos que compõem a residência de Juca e Eugênia. O mesmo casal que protagonizou o texto Na roça com amor, do escritor Belmiro Braga. Aliás, a peça tem como ponto de partida o casamento dos dois personagens. O que acontece com o mais novo casal após a cerimônia? Como fazer para tirar os familiares da noiva de casa? O público ri muito com essa história de os dois traçarem planos para tirar o pessoal de casa sem parecer que estão tocando-os de lá, comenta a atriz. São personagens tirados de dentro da comunidade. A maneira como se vestem, o trato com as pessoas e o jeito de falar.