‘É lógico que sou pop, não tem jeito’
Desde que deixou Juiz de Fora, Ana Carolina tem marcado presença em trilhas sonoras de folhetins da Globo. No total, já são 22. Atualmente suas canções Combustível e Luz acesa são temas de Amor à vida e Flor do Caribe. Mas ela faz questão de enfatizar que também tem um estilo próprio. Não dá para ficar me colocando numa estante. Então tá, posso ter música em novela, mas também tenho música com o Guinga (compositor e violonista carioca), afirma ela, que disponibiliza seu novo álbum de inéditas #AC no iTunes, para deleite de seus fãs e dos dois milhões de seguidores no Facebook. É um disco mais pop. Tanto que, quando resolvi colocar o hashtag no nome, quis dizer que era para todo mundo mesmo. O material traz parcerias com artistas como Edu Krieger e Moreno Veloso, além de participação especial de Chico Buarque. O trabalho também marca a incursão da cantora na direção de videoclipes. Um sueño bajo el água e Leveza de valsa ganharam clipes dirigidos por Ana Carolina, já no YouTube. Pontual e direta, a juiz-forana conversou com a Tribuna por telefone na tarde da última terça sobre a multiplicidade de sons do álbum, que chega às lojas em junho com 12 faixas conectadas a seu tempo.
Tribuna – Você volta com um disco de inéditas depois de quatro anos. Existe algum motivo especial para lançá-lo agora?
Ana Carolina – Depois do N9ve, fiz Ensaio de cores neste meio tempo, e ele me deu pano para manga. Tinha várias vertentes: não apenas banda só de mulheres, mas também o disco foi lançado no show que ajudava uma associação de diabéticos. Foi um trabalho que rendeu. Chegou a hora em que tive vontade de mostrar um pouco do repertório que foi sendo feito desde o último disco. Fiz 50 músicas e tive que escolher 12 para pôr no álbum.
– O rótulo de cantora popular me incomoda, disse você em entrevista à IstoÉ, no final de 2012. Mas, como você mesmo disse, o seu disco atual não é ainda mais pop?
– Às vezes me incomoda estar somente nessa estante. É lógico que sou pop, não tem jeito. Mas ser vista por um grande público somente dessa maneira me incomoda. É como se cancelassem outras coisas que tenho. É como se eu não existisse. Gosto de estar neste lugar em que faço várias coisas diferentes, em que eu posso ser diretora de um videoclipe, ou fazer canções mais sofisticadas. Isso é importante para mim, inclusive é praticamente é vital.
– Produzir e dirigir videoclipes dá mais autonomia e deixa o trabalho mais com a sua cara?
– Quando eu posso dirigir um videoclipe de uma música minha, sei um pouco mais sobre a imagem que eu quis passar. Às vezes, vejo canções com videoclipes que eu nem concordo muito, e que foram feitos por um diretor de não sei onde. Sueño bajo el água e Leveza de valsa ficaram exatamente como eu tinha imaginado. Acho que fica mais hermético. Vejo uma beleza ali.
– Você está usando o iTunes na divulgação desse novo trabalho. Como vê essas novas tecnologias na distribuição da música?
– É uma característica do mercado mesmo. O disco ser lançado no iTunes foi uma decisão da gravadora. Eu acho ótimo, até porque fico conectada muito tempo. Sair primeiro no iTunes e depois no disco físico gera assunto.
– Você promete um disco de sons e assuntos contemporâneos. Como trabalha essa contemporaneidade?
– Em um Sueño bajo el água, falo de Apple, Ego, Google, cito um pouco dessa coisa cibernética. A música iPhone é uma crônica cotidiana em relação ao aparelhinho que é superatual. Canção para ti, parceria minha com Moreno Veloso e Carlos Rennó, mostra exatamente o que eu gostaria que acontecesse com esse disco: Que fique no YouTube esse remix.
– Juiz de Fora pode esperar por sua volta na turnê de divulgação deste novo disco?
– Sempre menciono, peço para ir para Juiz de Fora, e aí eles veem o local. Mas aí tem a coisa do contratante…









