Ocupação já
Percorrendo o caminho traçado por instituições europeias e até mesmo brasileiras, como o Palácio de Versalhes, na França, e Inhotim, em Brumadinho (MG), o Museu Mariano Procópio tem investido, cada vez mais, em programações culturais e educativas para o público. Em 2012, no entorno do histórico jardim, cerca de 215 mil visitantes curtiram projetos, como "Férias no museu", "Clube ecológico", "Caça ao Saci", "Música no parque", teatro, oficinas, apresentações musicais e de capoeira. Só hoje, duas atrações estão previstas, sendo, às 10h, o espetáculo "Uma casa bem assombrada", da Companhia de Teatro Terceira Margem, promovido através do projeto "Diversão em cena", e, às 16h, o show do grupo Darandinos.
Ações semelhantes são realizadas na Universidade Federal de Juiz de Fora. Quem por lá caminha tem a opção de conferir o "Som de domingo", que, no último fim de semana, reuniu aproximadamente mil pessoas em volta da Concha Acústica, em concerto de três orquestras do Pró-Música, dentro da programação do 24º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, além do "Palco provisório", que hoje leva o grupo Mistura e Manda para o Centro de Vivência, a partir do meio-dia.
Como prova de que o público juiz-forano tem sede de entretenimento e aprova os eventos realizados em espaços públicos da cidade, no sábado, dia 20, as praças da Estação e Antônio Carlos abrigaram o Festival de Bandas Novas e show de grupos religiosos respectivamente. Centenas de roqueiros e católicos ocuparam, em harmonia, os dois endereços. Os amantes da música erudita também puderam, por 11 dias, apreciar o repertório clássico num palco montado no Parque Halfeld. "Estamos preocupados com a transformação social através da cultura. A população quer consumir, basta que a gente forneça oportunidades e espaço. Queremos democratizar o acesso à universidade", afirma Gerson Guedes, pró-reitor de Cultura da UFJF. "É preciso associar o museu a sua função social. Por isso, realizamos atividades de formação de público. Claro que temos que seguir a legislação e o regulamento do parque, que prevê o não consumo de bebida alcoólica e tabaco. Cada local tem suas peculiaridades, não podemos generalizar. Temos que saber qual a missão do espaço. Os objetivos têm que estar em consonância com qualidade de execução e respeito ao tombamento", observa Douglas Fasolato, diretor-superintendente da Fundação Mariano Procópio.
Entretanto, no Parque da Lajinha e no Morro do Cristo, o cenário ainda está aquém do esperado por juiz-foranos e turistas. "O parque está mais vistoso que há oito anos. É um ótimo lugar para respirar ar puro, mas, infelizmente, falta distração para os visitantes", comenta Wericson Barros Alves, 21 anos, auxiliar de manutenção industrial, que deixou Juiz de Fora para viver em Piúma (ES) e esteve nesta semana visitando o local, ao lado da namorada piumense Suelen Miranda Ponte, 20 anos. "Pelo menos nas férias, esperava encontrar alguma coisa por aqui", completa a jovem, técnica em meio ambiente. "Vou ao Parque da Lajinha praticamente todos os domingos para minha filha brincar, vejo que lá é um local democrático, por ser frequentado por pessoas de todas as classes sociais, mas não percebo preocupação da Prefeitura em nos proporcionar diversão. Se ficarmos com fome, lá não tem uma lanchonete sequer", engrossa o coro a dona de casa Karen Botero, 29 anos.
Revitalizado, mas sem atrações
Fechado para reformas por oito meses, o Parque da Lajinha foi entregue à população totalmente revitalizado em dezembro de 2012. A intenção inicial era que ali fosse um espaço de lazer e entretenimento com opções para toda a família. Com gastos que chegaram a R$ 1,1 milhão, a localidade possui ecoteca (biblioteca ecológica), borboletário, palco para shows, área de eventos, coreto, playground e academia de ginástica e quiosques com banheiros e bebedouros. Depois de sua reabertura, são realizadas visitas guiadas nas terças e quintas-feiras. De show, apenas uma apresentação musical, promovida pela Funalfa durante o Corredor da Folia, foi realizada. "Aquele espaço é gerenciado pela Secretaria de Meio Ambiente. Realizamos atividades no Museu Mariano Procópio, mas a gerência é do Douglas. Sendo assim, não existe uma política com esse direcionamento. Dentro das atividades que a gente faz, vamos tentando ocupar os espaços públicos, solicitando permissão dos gestores. Os locais geridos pela Funalfa, como o CCBM e o Dnar Rocha, temos procurado ocupar o máximo possível", assevera Toninho Dutra, superintendente da Funalfa.
De acordo com Luis Cláudio Santos, secretário de Meio Ambiente, embora não haja ainda qualquer projeto concreto de levar atrações culturais para o Lajinha, existe uma inclinação por parte da Administração em lá promover ações nessa direção. É preciso observar, contudo, as condições de uso do parque. "É uma unidade de conservação. Hoje, estamos submetidos ao Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), e há a previsão da formação de um conselho consultivo para este ano ainda. Estamos conversando com a Secretaria de Esporte e com a UFJF para fazer uma programação de eventos, principalmente, nos fins de semana, quando o número de visitantes alcança a média de 500 pessoas por dia. Mas não tem nada fechado", diz Santos. "Parcerias com a Funalfa e a Secretaria de Esportes são coisas rápidas. Podemos resolver isso em curto prazo", acrescenta Santos.
O secretário destaca também que está sendo estudada a possibilidade de uso do local para fins comerciais. "Nesta semana mesmo, uma pessoa interessada em promover um festival de jazz me procurou. Existe uma procura grande. Mas, ao mesmo tempo que você tem que permitir a utilização do parque, tem que tomar cuidado com sua preservação. Já fiz reunião com a Guarda Municipal e com a Polícia Ambiental para cuidar da segurança dos cidadãos. Enquanto não tivermos estrutura adequada, a situação é um pouco preocupante", finaliza.
Entretenimento nas alturas
Duas lunetas para ver a cidade com ângulo privilegiado, parquinho para crianças, loja de artesanato e esporádicas atividades culturais, como a tradicional Via Sacra, são as atrações oferecidas a quem hoje vai ao Morro do Cristo. "Como temos um estacionamento para carros, a área livre que sobra é muito pequena. Está aí a nossa dificuldade em trazer mais eventos para cá. Se os veículos ficarem parados na subida da estrada, não tem espaço para outro carro descer e nem fazer manobras", justifica Abraão Dantas Pereira. Há 13 anos, o empresário recebeu da Prefeitura a permissão de uso do espaço. Além da loja de artesanato, ele comanda o trailer de lanches e o salão, localizado abaixo da capela e do monumento erguido em homenagem ao Cristo Redentor. Conforme Dantas, a média de visitas chega a mil pessoas no fim de semana. Ao ser indagado, ele garante que há segurança satisfatória para o local. Por meio de nota, a Prefeitura confirmou a autorização de exploração do lugar pelo permissionário, isentando-se de responsabilidades sobre a agenda.
Não adianta ter lugar para lazer e cultura se não há investimento em infraestrutura. Há mais de um ano, no parque do Museu Mariano Procópio, o local construído para funcionamento de uma lanchonete encontra-se fechado. Segundo Fasolato, a antiga permissionária teve problemas de gestão e precisou encerrar o contrato. Uma nova licitação foi aberta, mas o vencedor não assumiu os trabalhos, o que levou ao cancelamento do certame. "Estamos prestes a publicar o novo edital, mas hoje temos permissionários de pipoca e algodão-doce. Nossa meta é avançar na qualidade de atendimento, investindo em portaria e segurança", promete o diretor, lembrando que os banheiros, que antes tinham o acesso cobrado por um serviço terceirizado, estão disponíveis gratuitamente.
No Parque da Lajinha, Santos garante que também está sendo providenciada uma licitação para abertura de uma cantina. O espaço, conforme ele, já está reservado. A contratação de ambulantes não está nos planos.









