Ritmos JF: os tambores do congado e moçambique
No segundo capítulo da websérie, Ingoma apresenta o som dos tambores que reverberam a música dos escravos africanos

Tambor mineiro, tambor do Divino, tambor de reinado, caixa de folia. A multiplicidade de nomes do principal instrumento do congado mostra como dele se valeram, ao longo do tempo, os negros bantus escravizados que acharam na dança e no toque do tambor a forma de expressar sua religiosidade, cultura e tradições.
Um festejo popular religioso sincrético, com elementos africanos e católicos, o congado é organizado pelas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário. Lucas Soares, coordenador do Ingoma, um grupo de pesquisa e difusão do tambor mineiro, explica que ele é muito diverso. “Acontece em várias regiões de Minas, é muito rico e plural na sua manifestação.”
Parte integrante dessa pluralidade, o Ingoma é, no entanto, um grupo laico e artístico, que reverencia os congadeiros, moçambiqueiros e todo o povo negro, legítimos donos e guardiões do congado. O grupo se inspira em artistas como Maurício Tizumba, Milton Nascimento, Sergio Pererê e TamboLelê.
“Tem um tanto de história, um tanto de ancestralidade”, explica Táscia Souza, integrante do Ingoma, que avalia que essa tradição tem estado quase ausente de Juiz de Fora e da Zona da Mata.
Os toques do tambor são ainda mais diversos do que os nomes dados a ele. Moçambique serra abaixo e serra acima, congo e marcha grave são alguns exemplos. E a batida reverbera no peito. Imagina então quando mais de 70 tambores batem ao mesmo tempo. É o acontece no carnaval com o Cortejo do Ingoma, que esse ano desfila no dia 15 de fevereiro. Quem quiser conhecer mais pode ir, neste sábado (1º), na Festa de Pré-Carnaval que acontece a partir de 14h, no Avalon Music.









