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Por Marisa Loures

27/12/2014 às 07h00- Atualizada 30/12/2014 às 17h32

Segundo lugar na categoria livro-reportagem do Jabuti, Daniela Arbex prepara

Segundo lugar na categoria livro-reportagem do Jabuti, Daniela Arbex prepara “Cova 312” para o próximo ano

Há casos e personagens que nunca saem das lembranças de um jornalista. Nos anos seguintes à publicação da série que lhe rendeu o Prêmio Esso e menções honrosas nos prêmios Vladimir Herzog e Lorenzo Natali, a repórter especial da Tribuna Daniela Arbex não se aquietou. Esperou o momento certo para ligar fatos, checar pistas e voltar ao drama de Milton Soares de Castro, guerrilheiro dado como desaparecido durante os sombrios anos da ditadura militar. “Essa história nunca saiu de mim”, confessa a autora juiz-forana, trabalhando, sem folga, na escrita de “Cova 312”. Previsto para chegar às prateleiras até maio pela Geração Editorial, mesmo selo do aplaudido “Holocausto brasileiro”, segundo lugar na categoria livro-reportagem do Jabuti de 2014, a obra ainda não saiu do forno e já é uma das principais apostas do ano que se aproxima. Enquanto isso, nas fronteiras juiz-foranas, a literatura local, que foi apoiada pela disputadíssima Lei Murilo Mendes, deve entregar cerca de 25 títulos inéditos aos seus leitores. A área aparece em primeiro lugar em número de aprovados, ao lado da música, na última edição do fomento municipal.

[Relaciondas_post] Segundo Daniela, “Cova 312” traz uma reviravolta na investigação de 2002. “Na ocasião, consegui reunir indícios da morte do guerrilheiro, mas nunca reuni fatos tão contundentes como agora. Em 2013, quando decidi escrevê-lo, tive que rodar o país. Fiquei um ano só apurando para tentar localizar documentos que não sabia onde estavam. Foi um trabalho gigantesco, até maior do que em ‘Holocausto’, falei com pessoas de lugares totalmente diferentes”, diz a repórter.

Filho de um poeta da geração que lançou Iacyr Anderson Freitas e Luiz Ruffato, o também repórter da Tribuna Mauro Morais organiza, para maio, o livro “Entre o aborto e o parto.” “É uma antologia com tudo que meu pai deixou escrito, com um texto no qual conto minha relação com ele, e uma revisão do momento histórico em que tudo foi escrito – a Juiz de Fora das décadas de 1970 e 1980, quando jovens se reuniam para fazer literatura na rua, resistindo à ditadura e criando revistas, como a ‘D’Lira’ e a ‘Abre Alas'”, afirma o repórter, agraciado com o incentivo municipal.

Outros autores já velhos conhecidos na disputa e alguns nem tanto têm até oito meses, a contar da data do recebimento da verba, para entregar os projetos literários à cidade com recursos da Lei Murilo Mendes. Em meio aos demais livros, estão “Casa de madeira”, de Darlan Lula, “João, que queria ser um dragão…”, de Marcelo Manhães, “Uma prosa sobre o som”, de Fernanda Cruzick, “O segredo da fada Lora”, de Adriana Barata, “Pedro Nava no divã”, de Rosangela Rossi, e “Soberano”, de Ulisses Belleigoli Rezende.

Quando o assunto é o mercado nacional, seguindo a tendência, os títulos estrangeiros prometem invadir o país. Patrick Modiano, com “Remissão da pena”, “Flores da ruína” e “Primavera de cão”, Arthur Schnitzler, com “Juventude em Viena” são alguns deles. Dentre os brasileiros, estão Raimundo Carrero, em “O senhor agora vai mudar de corpo”, Mario Prata, com “Uns brasileiros”, e Marcos Peres, com “Que fim levou Juliana Klein?”

Hora de colocar na balança

Se o momento é de colocar na balança o que foi feito nas letras em 2014, é preciso fazer justiça. A cidade produziu muita literatura, e a meninada talvez tenha sido a mais privilegiada. Juliana James deu aos pequenos “Histórias para meninos que gostam de férias e dragões” e “Histórias para meninas que gostam de borboletas e castelos encantados”. Por sua vez, Leila Miana apostou em cinco contos-lendas, que contam as origens dos deuses, no infantil “O amor vem da África.” Para o mesmo público, o desenhista Alberto Pinto escreveu e ilustrou “O sabonete da rainha”, enquanto Ulisses Belleigoli e Ezidras Farinasso investiram nos coloridos reinos de “O canto da princesa Rubra”. Sem contar o já consagrado Marcelo Manhães com “Uma fábula africana.” Em “Nascer é assim também”, a professora Fabiana Nogueira Neves acertou em cheio. A obra trata, com delicadeza, o difícil processo da adoção na “voz” da adorável cachorrinha Tita.

Tendo a cidade ou seus personagens como protagonista, Valéria Faria Cristófaro publicou “Navalha do tempo – Barbearias tradicionais em Juiz de Fora”, “Marisa Timponi e Leila Barbosa fizeram “Um olhar poético sobre Juiz de Fora”, e Ilma de Castro Barros e Salgado se dedicou a “Formas intercomunicacionais em Pedro Nava: O signo verbal e o pictórico.” Este último trouxe ao grande público um artista não só das palavras, mas também dos pincéis. Poetizando, André Monteiro emocionou com “Cheguei atrasado no campeonato de suicídio”, e Andréa Nunes uniu seu lado fotógrafa à escrita no livro “Cretina…”, sua estreia literária.

 

A hora das feiras literárias

Além de estar no Salão de Paris, Luiz Ruffato assina curadoria do Festival da Mantiqueira, em São José dos Campos (SP)

Além de estar no Salão de Paris, Luiz Ruffato assina curadoria do Festival da Mantiqueira, em São José dos Campos (SP)

Ignácio de Loyola Brandão lança

Ignácio de Loyola Brandão lança “Os olhos cegos dos cavalos loucos” no Festival Literário de Poços de Caldas

Sentir o clima que só as feiras literárias têm é o sonho de qualquer aficionado por leitura. A despeito de qualquer apelo mercadológico, é a oportunidade de pegar autógrafos do autor predileto, trocar ideias e saber as últimas novidades do mundo das palavras. Homenageado na Feira do Livro de Frankfurt em 2014, o Brasil volta ao centro das atenções em março, quando será homenageado no Salão do Livro de Paris. Quarenta e oito escritores, como Adriana Lisboa, Affonso Romano de Sant’Anna, Carola Saavedra e Cristóvão Tezza, participarão da comitiva brasileira, que pode ainda contar com os imortais Ana Maria Machado, Antônio Torres e Nélida Piñon.

Considerado o maior evento do gênero em Minas Gerais, o Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços), agendado para ocorrer entre 25 de abril e 3 de maio de 2015, foi escolhido por Ignácio de Loyola Brandão para o lançamento de “Os olhos cegos dos cavalos loucos”, uma homenagem ao avô. Pelas bandas do litoral fluminense, a Festa Literária de Paraty (Flip) chega ao 13º ano, anunciando a realização, em parceria com o British Council, de um intercâmbio de residências literárias para tradutores do Brasil e do Reino Unido em início de carreira, com até cinco traduções publicadas.

Apesar de a programação e o homenageado da vez ainda não terem sido divulgados, a permanência de Paulo Werneck na curadoria dá uma leve ideia do que pode vir por aí. Em 2015, a Flip surpreendeu ao reverenciar um autor contemporâneo, o cartunista e escritor Millôr Fernandes. Ele foi o primeiro homenageado a ter participado como convidado da festa.

O escritor Luiz Ruffato, nosso vizinho dileto, será o curador do Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura, sediado no distrito de São Francisco Xavier, em São José dos Campos (SP), de 10 a 12 de abril. “Flores artificiais”, sua mais recente obra, é um dos presentes de 2014.