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Despertar multiplicado


Por RAPHAELA RAMOS

27/11/2011 às 00h00

Descobrir arte no ser humano é como acender uma vela. A chama sempre esteve ali, guardada, à espera de uma centelha. Projetos culturais direcionados ao público infantil são oportunidades para descobrir fazedores e admiradores. "O que seria de Mozart se ele não tivesse vivido a música desde menino?", questiona o proprietário do Teatro Solar, Juracy Neves. Desde junho, o espaço acolhe a maratona de espetáculos "Diversão em cena", promovida pela ArcelorMittal. Em sua primeira edição, a proposta trouxe a Juiz de Fora 14 companhias e 26 apresentações, com entrada livre ou preços populares, sempre nas tardes de domingo. Segundo a assessoria do evento, mais de três mil pessoas passaram pelo teatro. A peça "Uma professora muito maluquinha", da Real Fantasia, encerra neste domingo a programação de 2011.

Na opinião da diretora do Solar, Suzana Neves, a educação é o caminho ideal para a criação de espectadores críticos e assíduos. "Acredito mais no desenvolvimento do interesse desde pequeno do que na possibilidade de fazer um adulto, que nunca foi, ir a um espetáculo." De acordo com Suzana, é preciso valorizar iniciativas dessa natureza, pouco recorrentes na cidade. Para ela, esse tipo de ação pode instigar grupos e agentes locais a se unirem em propostas de formação de plateia. Edgar Ribeiro, administrador do Teatro Solar, concorda. "Nas artes cênicas, a troca de experiências é essencial", diz, comparando o "Diversão em cena" a um festival com manifestações de variados estilos.

Sobre a ausência de trupes juiz-foranas, Ricardo Schmidt, gerente de recursos humanos e qualidade da ArcelorMittal Juiz de Fora, explica que o programa inclui somente trabalhos aprovados na Lei Estadual de Incentivo à Cultura. "Para 2012, esperamos que os grupos daqui inscrevam seus projetos na lei para que possamos defendê-los no Comitê de Política de Investimento Cultural da ArcellorMittal", comenta Schmidt, acrescentando que esse é um dos principais objetivos do gerente geral em Juiz de Fora, Tarcísio Bontempo. Os interessados podem acessar o site www.diversaoemcena.com.br e entrar em contato com a Fundação ArcelorMittal Brasil para obter mais informações.

A qualidade das montagens, conforme Edgar Ribeiro, é um dos destaques do programa. De acordo com ele, as produções infantis necessitam entender a criança de hoje, inserida em um mundo ágil e recheado de informações. Segundo Kalluh Araújo, diretor de "Uma professora muito maluquinha", o segredo para permanecer em cartaz há 15 anos está na temática capaz de integrar os pais e na produção cuidadosa. Como ressalta o artista, isoladamente, os espetáculos infantis têm menos espectadores hoje, porém, propostas como a "Diversão em cena" são comuns e conseguem atrair pessoas pela força da variedade e da regularidade. Kalluh discorda da crítica feita pelos atores e bailarinos locais às leis de incentivo durante o I Ciclo de Debates da Tribuna, na última segunda. Para ele, ao contrário do que apontaram os participantes, as leis não causam a acomodação dos produtores em relação à busca por mais público. "Nós precisamos desse instrumento e continuamos trabalhando com motivação."

 

Fazer e divulgar

Juracy Neves destaca a importância da divulgação em iniciativas como essa. "Quanto mais crianças tiverem a chance de ir ao teatro, mais a arte ganhará produtores e observadores", assevera. Suzana Neves engrossa o coro: "interessante é quando a vontade de ir parte dos pequenos, por isso o papel dos professores como incentivadores é fundamental. Levar a ideia do projeto às escolas vale muito a pena", menciona, fazendo planos para a edição do ano que vem, que se estende de maio a novembro. Segundo Ricardo Schmidt, um planejamento completo para 2012 está em fase de elaboração. "Queremos fortalecer ainda mais as relações com a comunidade e os artistas locais." Com relação a esses últimos, Edgar Ribeiro faz um convite para que estejam mais presentes na plateia.

Inédita em Juiz de Fora, a empreitada aconteceu pela segunda vez em Belo Horizonte. De acordo com Schmidt, a procura do público é a mesma nas duas cidades, levando-se em conta as devidas proporções. "Por aqui, o projeto foi crescendo. No ano que vem, estará solidificado."

 

A cor da criatividade

O espetáculo "Uma professora muito maluquinha", da Real Fantasia, é baseado na obra de Ziraldo, com texto adaptado por Sérgio Abritta. As cores preta e branca dos cenários e figurinos revelam a imobilidade do ensino no início da década de 1940, período em que Ziraldo se aproximou da mestre protagonista da história. Os atores Cristiene Fernandes, Erica Buzelin, Juliana Fonseca, Marcelo Xavier, Sérgio Cesário e Vavá Sena dão vida às estripulias da professora que inventou um jeito muito diferente e criativo de ensinar.

De acordo com o diretor Kalluh Araújo, apesar dos 15 anos de estrada, apenas um ator foi substituído. "As roupas e os adereços também são os mesmos. Acho incrível como o grupo conseguiu cuidar da montagem. Ela é a mesma da estreia. Até mesmo perucas de papel estão intactas", encerra. 

UMA PROFESSORA MUITO MALUQUINHA

Hoje, às 16h

Teatro Solar

(Av. Itamar Franco – antiga Av. Independência – 2104)

3229-1135

Ingressos: R$ 10 (inteira) e

R$ 5 (meia)